A JiveMauá anunciou hoje a conclusão da captação de seu primeiro Fiagro, no valor de R$ 413,6 milhões, em um cenário de juros elevados e turbulências causadas pelo aumento da inadimplência e maior seletividade de bancos e investidores.
Detalhes do fundo
O fundo JiveMaua Agronegócio Fiagro captou R$ 351,5 milhões em cotas sêniores distribuídas entre 8 mil cotistas, com rentabilidade fixa de 15% ao ano. Outros R$ 62,1 milhões vieram de recursos da própria gestora em cotas sub-sêniores, que absorverão eventuais impactos de atrasos ou perdas. O fundo é fechado, com prazo de seis anos: quatro anos com pagamentos mensais de juros e dois com juros e principal.
Segurança e diversificação
Paulo Fleury, gestor do portfólio de Agronegócio da JiveMauá, afirma que, mesmo em um momento conturbado, o fundo conta com reforços na segurança ao investidor, com maior diversificação e reforço nas garantias e na qualidade do crédito. “Em um momento com a Selic tão alta e commodities com preços tão baixos, não há setor que se possa dizer que está blindado de riscos”, afirma. “Por isso buscamos boas oportunidades em operações com estruturas robustas e em diversos subsetores, com produtores rurais, FIDCs, setor de maquinário e revendas, o que é bom porque pulveriza as aplicações e permite um bom retorno ajustado ao risco”, diz. O fundo começa com 12 ativos e deve chegar entre 18 e 24 em até dois anos.
Reforço de garantias
Segundo Fleury, o momento também favorece o reforço das garantias. “Dado que o dinheiro está escasso, conseguimos montar operações muito mais favoráveis, como aval da família do produtor ou contrato da trading para venda do produto”, explica. Além disso, há a subordinação do fundo, que dá uma garantia dupla para o investidor. Ela começa em 15%, que é a parcela que a JiveMauá colocou nas cotas sub-sêniores e que vão absorver as eventuais perdas. “Temos as garantias das operações em si e, além delas, esses outros R$ 62 milhões que colocamos no fundo”, afirma Fleury.
Proximidade com empresas
Há também uma preocupação em estar próximo das empresas que recebem os empréstimos, explica Samer Serhan, CIO de Crédito Privado, Infraestrutura, Agronegócios e Previdência da JiveMauá. “Além de analisar os números, buscamos conhecer os empresários, saber quais suas visões do negócio e do mercado e trazê-los para perto da operação para, no caso de algum problema, ele acionar a gestora antes de um advogado”, diz.
Sucesso em meio a turbulências
Serhan considera a captação um sucesso em um segundo trimestre marcado pela remarcação das operações de crédito privado após a recuperação extrajudicial da Raízen e a renegociação do Grupo GPA, além do recorde de resgates em fundos e da piora do caso do Banco Master com os problemas do BRB. “O cenário eleitoral também começou a atrapalhar mais”, acrescenta. Com o novo Fiagro, a JiveMauá alcança uma captação de mais de R$ 2 bilhões no ano, com R$ 600 milhões em FIDCs abertos e fundos de previdência, R$ 750 milhões em dois fundos imobiliários e R$ 650 milhões em fundos fechados.
Segundo semestre difícil
Já para o segundo semestre, Serhan vê um ambiente bem mais difícil para o mercado de crédito privado com a proximidade das eleições, o que pode aumentar a aversão ao risco, como ocorreu entre 2021 e 2022. “Em dezembro de 2022 houve recorde de envio de divisas ao exterior e foi um período muito difícil para captação nos meses seguintes”, lembra. “Estamos bem apreensivos e preocupados com a economia”, diz. Mesmo assim, ele não descarta a possibilidade de novas operações. “Nosso foco é muito no micro, nos negócios em si, e sempre surgem boas oportunidades”, conclui.



