O governo federal aprovou o aumento temporário do teor de etanol na gasolina de 30% para 32%, criando a chamada gasolina E32. A medida, no entanto, levanta dúvidas sobre a durabilidade dos motores, já que não foram realizados testes específicos de longa duração com a nova mistura.
Pressão para absorver excedente de etanol
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a decisão foi tomada sob pressão do setor sucroenergético, que enfrenta um excedente de produção de etanol. A mistura E32 permitiria absorver parte desse excedente sem grandes alterações na logística de distribuição.
Especialistas alertam que o aumento do teor de etanol pode acelerar o desgaste de componentes do motor, como bicos injetores e bombas de combustível, especialmente em veículos mais antigos. A falta de testes de longa duração preocupa montadoras e consumidores.
Toyota e BMW testam gasolina renovável
Paralelamente, Toyota e BMW participam de um projeto-piloto de seis meses com a Repsol e a Bosch para ampliar o uso da gasolina renovável Nexa 95. A iniciativa busca prolongar a vida útil dos veículos a combustão sem alterar a engenharia dos motores atuais.
Cada empresa tem um papel específico: a Bosch fornece a tecnologia "Digital Fuel Twin", que monitora o consumo e verifica se cada veículo opera com combustível renovável certificado. A Repsol fornece a Nexa 95, produzida a partir de óleo de cozinha usado e resíduos agrícolas. Toyota e BMW disponibilizam cerca de 20 veículos para testes em diferentes regiões da Espanha, onde a Nexa 95 já é comercializada.
Diferenças da gasolina renovável
Quimicamente, a gasolina renovável é muito semelhante à tradicional. A principal diferença é que sua matéria-prima não vem do petróleo bruto, mas de fontes renováveis. Durante a combustão, ela também libera CO₂, mas com pegada de carbono significativamente menor, pois o carbono emitido faz parte do ciclo biogênico.
Outra vantagem é que a gasolina renovável pode ser usada na infraestrutura de abastecimento existente e em motores atuais, sem adaptações mecânicas.
Alternativa aos veículos elétricos
Toyota e BMW defendem que a descarbonização não deve depender exclusivamente dos carros elétricos. Em 2023, a União Europeia aprovou o fim da venda de carros novos a combustíveis fósseis a partir de 2035, mas o bloco vem discutindo flexibilizações, abrindo espaço para combustíveis de baixo carbono.
As empresas compartilharão os resultados do projeto-piloto com legisladores europeus, na expectativa de demonstrar que os combustíveis renováveis podem reduzir as emissões da frota em circulação enquanto a eletrificação avança gradualmente.



