O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, a partir de 1º de agosto, por um período de 180 dias. A medida, anunciada em 14 de julho de 2026, tem como objetivo principal reduzir a importação de gasolina e mitigar os impactos do aumento do preço do petróleo no mercado internacional.
Impacto no preço da gasolina
De acordo com o governo, a elevação da mistura pode reduzir o preço da gasolina em até 2%. Isso ocorre porque o etanol é um combustível mais barato que a gasolina pura. No entanto, o benefício pode ser parcialmente diluído, já que o etanol possui menor densidade energética, o que pode levar a um aumento no consumo de combustível pelos veículos.
O CNPE já estuda elevar ainda mais a mistura para 35%, como parte de uma estratégia de longo prazo para alcançar a autossuficiência energética e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.
Reações do setor
O setor produtor de etanol apoia a medida, que deve aumentar a demanda pelo biocombustível. "A ampliação da mistura é positiva para o setor e para o meio ambiente", afirmou representante da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).
Por outro lado, preocupações surgem quanto aos impactos em veículos que não são flex, ou seja, aqueles projetados apenas para gasolina. Embora a mistura de até 32% seja considerada segura para a maioria dos motores modernos, especialistas alertam que um aumento para 35% pode exigir adaptações.
Contexto e objetivos
A decisão ocorre em meio a um cenário de alta do petróleo no mercado global, que pressiona os preços dos combustíveis no Brasil. Ao aumentar a proporção de etanol, o governo busca não apenas conter a inflação dos combustíveis, mas também reduzir as emissões de gases de efeito estufa, já que o etanol é uma fonte renovável.
A medida é temporária e será reavaliada após 180 dias. O CNPE monitorará os efeitos sobre o mercado e o consumo antes de decidir sobre um aumento permanente ou para 35%.



