Frota envelhecida reduz eficiência no campo, diz Paulo Arabian
Frota envelhecida reduz eficiência no campo, diz VP da CNH

O vice-presidente de vendas da CNH, Paulo Arabian, afirmou que a frota de máquinas agrícolas no Brasil está envelhecida, reduzindo a eficiência no campo. Segundo ele, colheitadeiras já operam acima da idade ideal, enquanto juros altos e margens menores adiam a renovação dos equipamentos.

Idade média da frota supera a recomendada

De acordo com levantamento do Detran-SP, cerca de 66,5% dos veículos ativos no estado têm 10 anos ou mais. No setor agrícola, a situação é similar: máquinas como colheitadeiras frequentemente ultrapassam a vida útil recomendada, comprometendo a produtividade.

“A frota de colheitadeiras já está acima da idade ideal para operação eficiente”, declarou Arabian durante a Agrishow. Ele destacou que a renovação é dificultada pelo cenário econômico, com juros elevados e margens de lucro apertadas para os produtores.

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Impactos na produtividade e no meio ambiente

Uma frota mais antiga não só reduz a eficiência operacional, mas também aumenta as emissões de poluentes. Equipamentos velhos exigem mais manutenção e consomem mais combustível, elevando os custos para o agricultor.

“Além de ser mais poluente, uma frota mais velha também aumenta os congestionamentos em grandes centros urbanos”, explicou Marcelo A. L. Alves, professor da Escola Politécnica da USP, em análise sobre veículos de passeio. O mesmo raciocínio se aplica ao campo, onde máquinas obsoletas geram ineficiência logística.

Juros altos e crédito restrito travam renovação

Arabian apontou que o custo do crédito é um dos principais entraves. “Com juros altos, o produtor adia a compra de novas máquinas, mesmo sabendo que a frota antiga reduz a rentabilidade”, afirmou.

Segundo dados da Anfavea, o Brasil deve produzir cerca de 2,8 milhões de veículos em 2026, mantendo-se abaixo da marca de 3 milhões. A produção local enfrenta dificuldades desde 2013, quando o país não consegue repetir o patamar de 3,71 milhões de unidades.

Programas de incentivo têm alcance limitado

O programa Move Brasil, que visa renovar a frota nacional, é visto como pouco efetivo para o setor agrícola. “Terá pouco efeito porque é destinado a um setor específico. Não vai resolver o problema principal, que é o fato de o automóvel ter se tornado um bem menos acessível”, criticou Marcelo Alves.

Para Arabian, são necessárias políticas mais amplas que facilitem o acesso ao crédito e estimulem a substituição de máquinas antigas. “A renovação da frota é essencial para a competitividade do agronegócio brasileiro”, concluiu.

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