Fábrica da Yamamotoyama em SP produz 300 t de chá verde por ano
Fábrica em SP produz 300 t de chá verde por ano

Em São Miguel Arcanjo, no sudoeste paulista, a Yamamotoyama mantém a única fábrica brasileira da multinacional japonesa, que acumula mais de 300 anos de história. A unidade administra 104 hectares de plantações de Camellia sinensis, divididos em duas fazendas, e produz 300 toneladas de chá verde por ano. Desse total, cerca de 80% seguem para os Estados Unidos.

A instalação no município veio depois que a companhia fechou antigas fazendas em Tapiraí (SP) e Araucária (PR). O diretor Hirotaka Izawa aponta três fatores decisivos: baixo risco de geada na primavera, chuvas acima de 1,5 mil mm por ano e a logística favorável. "Tem muito pouco risco de ter geada na primavera. E tem abundância de chuva, que dá mais ou menos é acima de 1500 milímetros por ano. A plantação de chá demanda bastante água. Então essa condição climática realmente é favorável. E o outro motivo é que perto de São Paulo, que é o maior mercado do chá japonês, e é perto de Santos, de onde sai a exportação", explica.

Cultivo e colheita da Camellia sinensis

A bebida produzida na fábrica tem como base a planta milenar que também dá origem aos chás preto e branco. No chá verde, a folha recebe um banho de vapor imediatamente após a colheita, o que evita a oxidação e mantém nutrientes e cor. A colheita ocorre de setembro a abril, com até dez retiradas por safra. Como apenas brotos e folhas jovens são colhidos, alguns arbustos seguem produtivos há mais de 40 anos.

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Para chegar às 300 toneladas de produto final, a unidade processa cerca de 1,5 mil toneladas de folhas verdes úmidas. A secagem reduz o peso em 80%, o que explica a diferença entre o volume colhido e o chá comercializável.

Exportação para os EUA e a onda do matcha

Apesar da origem japonesa, a fábrica brasileira não vende seu chá para o Japão. Segundo Izawa, os consumidores japoneses evitam o produto importado, e a legislação local obriga a indicação da origem no rótulo. "Quando fala que é um chá importado do Brasil, que é obrigado a escrever isso na embalagem, a demanda cai bastante. Então, eles pararam de importar nosso chá. Só que por outro lado, como aumentou bastante a demanda nos Estados Unidos, estamos exportando quase 100% para lá", afirma.

A unidade não fabrica matcha, o chá verde em pó que exige cultivo sombreado e processamento específico. O diretor afirma que a produção da versão exigiria investimentos elevados. Ainda assim, o crescimento do consumo de matcha no mundo impacta todo o setor, diminuindo a oferta global de matéria-prima e abrindo oportunidades para exportadores. O matcha aparece em diferentes preparações:

  • puro, com água quente;
  • em bebidas geladas, como lattes e smoothies;
  • em sobremesas, bolos, sorvetes e chocolates.

Jovens e o consumo de chá

Benício Coura, especialista em chás e fundador de uma empresa de curadoria e importação de chás premium, observa que a bebida ganha espaço principalmente entre os mais jovens. "A gente percebe esse crescimento principalmente entre os jovens, que procuram bebidas mais saudáveis. O chá também contém cafeína, assim como o café, mas possui uma substância chamada L-teanina. Essa combinação faz com que a cafeína seja absorvida de forma mais gradual. Enquanto o café provoca um pico de energia, o chá oferece um efeito mais constante e prolongado", conclui.

A empresa de Coura foi criada em 2019, mas a origem do projeto é anterior: cerca de 15 anos antes, ele produzia kombucha e tinha dificuldade para comprar matéria-prima em pequenos volumes. A alternativa foi organizar compras coletivas com dezenas de produtores. Com a pandemia e o aumento da demanda, a iniciativa se transformou em um negócio de chás especiais. Um dos fornecedores é a indústria de São Miguel Arcanjo. "Nós compramos a matéria-prima e nossos parceiros fazem as misturas. Por exemplo, para fazer um chá verde com abacaxi e coco, eu pego o chá verde da Yamamotoyama, e o meu terceiro faz o envase com o coco e o abacaxi para formar o blend", explica.

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Sachê ou folhas soltas?

O especialista explica que há diferenças relevantes entre os dois formatos. Nos sachês, as folhas são trituradas para caber no saquinho, o que reduz a complexidade de sabor e alguns benefícios. "Se perde um pouco dessa complexidade de sabor, dos benefícios. Mas é o que foi necessário para trazer praticidade. Já um chá de folhas soltas, é feito para degustar, ter prazer com os aromas, ter prazer com os sabores e ainda se beneficiar dos compostos ativos que tem no chá", detalha.

Coura lembra que ambos são preparados por infusão e que o amargor característico do chá verde, por muito tempo um obstáculo, vem sendo superado. "As pessoas estão conseguindo entender que esse amargor traz os benefícios que estão ditos ali. Tanto que o matcha tem crescido", observa. Para facilitar a aproximação, sua empresa combina o chá verde com frutas, suavizando o sabor antes de o consumidor migrar para versões puras.

Benefícios e limites

O chá verde concentra antioxidantes e catequinas, compostos estudados pela ciência. "Quanto menos oxidado for o chá, como acontece com o chá verde, maior tende a ser a concentração de antioxidantes e catequinas. Essas substâncias podem ajudar a acelerar o metabolismo, mas o chá, sozinho, não vai fazer ninguém emagrecer", conclui Coura. Ele ressalta, ainda, que a bebida não substitui tratamentos médicos nem cura doenças, devendo ser consumida como parte de um estilo de vida equilibrado.