Erica Oliveira, ex-rainha do Carnaval de Rio Branco, foi eleita Rainha do Rodeio da Expoacre 2026 no último sábado (25), durante a final do concurso realizada em frente ao Palácio Rio Branco, na capital acreana. Ela recebeu o prêmio de R$ 10 mil e será a representante oficial da feira agropecuária durante o evento.
Outras vencedoras e critérios de avaliação
O título de Princesa do Laço ficou com Josefa Inácio, representante de Plácido de Castro, no interior do Acre, que ganhou R$ 5 mil. Já Maysa Valadão, de Senador Guiomard, foi eleita Madrinha dos Peões e levou R$ 3 mil. Ao todo, 15 candidatas disputaram os três títulos. As participantes foram avaliadas por simpatia, comunicação, postura, desenvoltura e elegância.
A nova Rainha do Rodeio sucede Camila Assunção, vencedora da edição de 2025, que fez a passagem da faixa durante a cerimônia.
Representação e legado
Além do prêmio em dinheiro, Erica Oliveira passa a representar oficialmente a Expoacre 2026, participando da Cavalgada, da abertura do rodeio e das demais atividades culturais da feira, que ocorre entre 1º e 9 de agosto, no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco.
Nas redes sociais, Erica comemorou a conquista e afirmou que pretende representar não apenas a cultura acreana, mas também outras mulheres. "Para mim é uma honra poder estar aqui e representar tantas pessoas e nossa cultura. Tudo aqui é sobre autenticidade, responsabilidade e compromisso. É representar cada mulher, mulheres fortes que podem correr atrás do seu sonho. É sobre levar um legado da mulher forte e empoderada", destacou.
Josefa Inácio: professora e mãe atípica
Josefa Inácio, que é professora e mãe atípica, também celebrou o resultado nas redes sociais. Ela agradeceu o apoio da família durante a preparação para o concurso e destacou a participação da mãe na confecção do figurino. "Estou muito feliz com essa faixa representando minha cidade. Minha família me ajudou muito. Minha mãe, inclusive, foi uma das confeccionadoras do meu chapéu e da minha asa. Se não fosse eles, eu não seria nada. A sensação é de gratidão porque todo esforço vale a pena", afirmou.
Denúncia de violência doméstica
A conquista do título ocorre menos de duas semanas após Erica Oliveira denunciar ter sido agredida pelo ex-marido, com quem manteve um relacionamento por 16 anos. Em entrevista ao g1, ela relatou que foi enforcada durante uma discussão, perdeu a consciência e foi salva pelo filho de 9 anos, que ouviu os pedidos de socorro. "Deus me deu uma segunda chance de vida. Eu vi a morte de perto. Meu filho de 9 anos salvou a minha vida. Sofri um enforcamento até perder o nível de consciência. Meu filho me ouviu. Graças a ele, estou viva", disse.
Após a agressão, Erica registrou boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), passou por exame de corpo de delito e solicitou medida protetiva. O caso é investigado pela Polícia Civil. À época, a delegada adjunta da Deam, Kelcinaira da Costa, informou que o suspeito foi notificado para prestar depoimento e que o inquérito foi instaurado para apurar o caso.
Questionamentos do Tribunal de Contas
Os preparativos para a Expoacre 2026 são acompanhados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), que determinou a suspensão dos atos relacionados à contratação da estrutura do evento após identificar indícios de irregularidades no processo conduzido pela Secretaria de Estado da Casa Civil. A medida cautelar impede a assinatura de contratos, repasses de recursos públicos e pagamentos relacionados ao chamamento público e à contratação direta adotada pelo governo, até nova deliberação da Corte de Contas.
Segundo o TCE, a auditoria apontou falhas no planejamento da contratação, além de mudanças no modelo de execução que elevaram o custo estimado da feira de cerca de R$ 20 milhões para aproximadamente R$ 22 milhões, divididos em três contratos.
Em nota, a Casa Civil informou que ainda está dentro do prazo para apresentar os documentos solicitados pelo tribunal e afirmou que, até o momento, nenhum termo de colaboração foi assinado e nenhum recurso público foi repassado. O relator do processo, conselheiro Ronald Polanco, ressaltou que a decisão não impede que a feira aconteça, mas busca garantir que os recursos públicos sejam aplicados somente após a correção das inconsistências apontadas pela auditoria.
Além das irregularidades apontadas no processo de contratação, reportagem da Rede Amazônica Acre e do g1 mostrou que as três entidades escolhidas pelo governo para executar a feira têm atuação voltada principalmente para atividades religiosas e filantrópicas e não possuem experiência conhecida na organização de eventos do porte da Expoacre.



