Infestação severa atinge propriedades rurais
A cigarrinha-do-milho, inseto de poucos milímetros, tem causado perdas severas em lavouras de Roraima, levando produtores a registrar perda total da produção. Considerada uma das pragas mais preocupantes do país na cultura do milho, ela transmite doenças que travam o desenvolvimento das plantas e comprometem toda a safra.
Em uma propriedade na zona rural de Boa Vista, o produtor Gilberto Uemura, que cultiva milho há 14 anos, relatou que o milharal foi fortemente afetado. "Esse mês de junho estava esperando uma boa safra, mas a gente não está tendo esse retorno. A pressão da cigarrinha veio muito forte e perdemos a plantação inteira", contou.
Primeira vez que Roraima registra perda total
Esta é a primeira vez que Roraima registra perdas totais de lavouras de milho por causa da cigarrinha. Outro caso foi registrado na propriedade do agricultor Alziro dos Reis, no Projeto de Assentamento Nova Amazônia. Ele percebeu o problema a partir de alterações nas folhas, que apresentaram escurecimento e coloração avermelhada, além da presença de pequenos insetos. "Nem sabia o que era cigarrinha-do-milho. Só notei que a plantação estava cheia de bichinhos e depois procurei informação e descobri que era a praga. Aqui, perdi cerca de 2 hectares de milho", estimou.
Quando a infestação é severa, os prejuízos vão além da perda da colheita. O produtor perde também o investimento em sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas e operações de manejo.
Pesquisador alerta para transmissão de doenças
O pesquisador da Embrapa, Cirano Melville, afirmou que a cigarrinha-do-milho se tornou um problema generalizado no Brasil após mudanças no sistema de produção da cultura, especialmente a partir de 2015. O cultivo contínuo de milho ao longo do ano e a expansão das áreas agrícolas favoreceram a multiplicação do inseto.
Segundo Melville, o principal dano não está na alimentação da cigarrinha, mas na transmissão de doenças conhecidas como enfezamento do milho. Essas doenças podem provocar perdas de produtividade que variam de 10% a 100%, dependendo do vírus ou bactéria transmitido. "Durante o desenvolvimento inicial da planta, não é possível identificar visualmente a doença, só da pra ver a presença do inseto. Os sintomas surgem geralmente na fase reprodutiva, quando os danos já estão estabelecidos, sendo muito difícil o controle", explicou.
As plantas infectadas apresentam sinais como redução do porte, excesso de espigas sem valor comercial e falhas no enchimento dos grãos. Folhas podem ficar avermelhadas ou amareladas.
Manejo integrado é essencial para controle
O pesquisador orienta que o controle da cigarrinha deve ser feito por meio do manejo integrado de pragas. O uso isolado de inseticidas não é suficiente. Recomenda-se eliminar plantas voluntárias, que servem de abrigo entre as safras, tratar sementes e usar cultivares híbridas com tolerância à praga.
Aderr acompanha situação
A Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr) informou que não recebeu comunicação oficial sobre a ocorrência, mas vai acompanhar a situação e adotar medidas técnicas. Equipes da Defesa Vegetal poderão realizar levantamentos em campo e orientar produtores. Produtores que observarem sintomas incomuns devem procurar a unidade da Aderr mais próxima.



