A Chapada de Minas, localizada no coração do Vale do Jequitinhonha, consolida-se como uma importante região produtora de café de qualidade. Após décadas de trabalho, os produtores rurais transformaram desafios em oportunidades, e agora o produto ganha reconhecimento oficial com o selo de Indicação Geográfica (IG), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
O que é a Indicação Geográfica?
O selo de IG atesta a reputação, o valor e a identidade de produtos originários de um local específico. A certificação reconhece que esses produtos possuem qualidade única devido à combinação de fatores naturais e humanos. No caso da Chapada de Minas, o café se destaca por suas características sensoriais.
Características do café da Chapada de Minas
A bebida apresenta sabor doce, achocolatado, com notas de caramelo e frutas vermelhas. O aroma é intenso e amanteigado, com corpo intenso e aveludado. A acidez é málica, de média a alta, e a finalização é equilibrada e prolongada. Essas qualidades são resultado da combinação do solo, altitude e clima da região.
Qualidade comprovada
Os cafés da Chapada de Minas têm obtido notas acima de 80 pontos na metodologia da Specialty Coffee Association (SCA), que vai até 100. A avaliação considera critérios como aroma, uniformidade, ausência de defeitos, doçura e harmonia. Em 2022, foi realizada a primeira exportação direta de café especial para a Austrália, e os produtores continuam conquistando prêmios nacionais e internacionais.
Números da cafeicultura na região
- 5,8 mil produtores
- 400 mil sacas de café produzidas anualmente
- 30 mil hectares plantados
- 20 mil empregos gerados
A região abrange 22 municípios, incluindo Água Boa, Angelândia, Capelinha, Diamantina, Itamarandiba e Turmalina, entre outros.
Conquista do selo de IG
A solicitação do selo de IG envolveu várias etapas. Em 2018, foi criado o Instituto do Café da Chapada de Minas (ICCM), organização sem fins lucrativos, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento da cafeicultura por meio de educação, inspiração e colaboração. No ano seguinte, foi lançada a marca território “Chapada de Minas”. O Sebrae atuou em parceria com o ICCM desde o início, profissionalizando a gestão e fortalecendo a governança.
“A conquista da Indicação Geográfica representa um reconhecimento justo ao trabalho e ao empenho diário dos produtores”, afirmou Marcelo de Souza e Silva, presidente do conselho deliberativo do Sebrae Minas. “Além do impacto econômico, os cafés da Chapada de Minas ajudam a consolidar a identidade regional e a competitividade no cenário nacional e internacional.”
Depoimentos de produtores
Carmen Lydia Meirelles
Produtora rural e primeira presidente do ICCM, Carmen Lydia destaca a importância da união da classe. “Essa conquista é resultado de um trabalho árduo, construído com dedicação e perseverança. O Sebrae foi um grande parceiro, oferecendo suporte técnico e confiança em nosso potencial.” Ela recentemente esteve no Canadá para negócios, onde as certificações e o pertencimento a uma região reconhecida foram exigências importantes.
Cláudio Nakamura
Descendente de imigrantes japoneses, Cláudio chegou à Chapada de Minas em 1986 com a esposa Élvia. A família cultivava café no Paraná, mas migrou após uma geada devastadora. Com apoio de instituições como Emater, Senar e Sebrae, profissionalizaram o negócio, que hoje conta com torrefação própria e comercializa três tipos de café. “Cada xícara carrega o trabalho, a dedicação e o amor de quem produz”, afirma.
Donizete Santiago
Produtor de Angelândia, Donizete trabalha com a esposa Lucimar em uma propriedade de agricultura familiar. Ele conta que o pai vendeu uma potra para comprar as primeiras mudas de café. Hoje, com apoio do ICCM, Donizete tem acesso a laudos de qualidade. “Com o selo de IG, nosso café passa a ter origem certificada. Será reconhecido em qualquer lugar do mundo.”
Perspectivas futuras
O governo de Minas Gerais prevê uma safra de café de 32,4 milhões de sacas em 2025, um aumento de 25,9% em relação ao ano anterior. O estado é o maior produtor do país. Os produtores da Chapada de Minas esperam que o selo de IG abra novos mercados, melhore os preços e incentive mais investimentos em cafés especiais.



