O Amapá desperdiça diariamente o equivalente a 15 piscinas olímpicas de água, ou 49.659 caixas d'água de 750 litros, conforme dados divulgados nesta terça-feira (2) pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a consultoria GO Associados. O levantamento aponta que o Estado possui 39,27% de perdas na distribuição, índice praticamente igual à média nacional, de 39,53%. Os dados são referentes a 2024.
Impacto das perdas no Amapá
No Amapá, a redução das perdas para a meta de 25%, prevista pela Portaria 788/2024, poderia garantir abastecimento para cerca de 225.588 pessoas. Em Macapá, as perdas chegam a 37,84% na distribuição, acima da meta nacional. Cada ligação desperdiça em média 755 litros por dia, muito acima do limite de 216 litros. O desperdício equivale a 9 piscinas olímpicas ou 30.405 caixas d'água de 750 litros por dia. A redução poderia atender cerca de 34.062 pessoas.
Desafios na região Norte
O Amapá está entre os Estados com níveis elevados de perdas, o que reforça os desafios da região Norte. Na prática, grande parte da água produzida não chega às casas. O desperdício de água acontece quando o recurso é perdido antes de chegar às residências. Isso ocorre por vazamentos nas redes, erros de medição e consumos não autorizados. Esses problemas aumentam a pressão sobre os mananciais e elevam os custos de produção, além de reduzir a receita das empresas de saneamento.
Comparação com outras capitais
Entre as capitais, Goiânia (11,45%), Campo Grande (20,69%), Teresina (19,55%) e São Paulo (24,46%) estão dentro da meta. Já Belo Horizonte (68,29%), Maceió (64,05%) e Belém (58,96%) estão entre as piores, com perdas muito acima da média.
Impacto nacional e econômico
No Brasil, o volume desperdiçado em 2024 seria suficiente para abastecer 77 milhões de pessoas em um ano — mais que o dobro da população sem acesso à água potável (33 milhões). A redução das perdas para 25% poderia gerar R$ 47,3 bilhões em ganhos econômicos até 2033 e aumentar a resiliência hídrica diante das mudanças climáticas.
O estudo conclui que o Brasil ainda tem um longo caminho para reduzir as perdas. A meta de 25% até 2033 exige medidas urgentes para garantir acesso à água potável e enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.



