Agronegócio brasileiro: potência produtiva sufocada pelo fiscalismo
Agronegócio: potência produtiva sufocada pelo fiscalismo

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro alcançou R$ 3,20 trilhões em 2025, segundo dados do Cepea/Esalq-USP e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O setor, que já representa cerca de um quarto da economia nacional, sustenta superávits comerciais, movimenta indústria, serviços, logística e tecnologia. Apesar disso, especialistas apontam que o agronegócio é tratado como reserva de emergência fiscal por governos que gastam mal e cobram muito.

O peso do agronegócio na economia

O agronegócio brasileiro não é uma abstração estatística, nem um privilégio setorial. É uma das poucas engrenagens nacionais que combinam produtividade, inovação, exportação, interiorização de renda e capacidade de competir no mundo. A safra nacional de grãos segue em patamar histórico, e as exportações do setor continuam decisivas para a balança comercial. Esses dados não falam apenas de soja, milho, carne, café ou algodão, mas de uma cadeia que começa antes da porteira, passa pela indústria, crédito, pesquisa, máquinas, transporte, armazéns e portos, até chegar ao prato, ao tanque, à fábrica e ao mercado internacional.

Crescer, nesse caso, não é apenas colher mais. É organizar um sistema capaz de transformar ciência em alimento, risco em renda, tecnologia em escala, campo em indústria e produção em soberania econômica. O agro moderno nasce de pesquisa tropical, investimento privado, gestão, adaptação climática e de empresários que assumem riscos que muitos formuladores de políticas jamais compreenderam.

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O limite da eficiência privada diante da ineficiência pública

Mas há um limite para a coragem empresarial quando o ambiente institucional se torna hostil. Há um limite para a eficiência privada quando a ineficiência pública cobra pedágio em cada etapa. Há um limite para a produtividade quando o Estado olha para quem produz como quem olha para um cofre aberto. Segundo analistas, a era do fiscalismo como projeto de país precisa acabar. Impostos são necessários para financiar serviços públicos, infraestrutura, segurança jurídica, políticas sociais e o funcionamento institucional, mas há uma fronteira entre o necessário e o abusivo. Quando essa linha é rompida, o tributo deixa de ser instrumento de equilíbrio e passa a atrofiar empresas, empregos e investimentos.

O Brasil atravessou essa fronteira há muito tempo. Criou-se no País uma religião arrecadatória, sustentada por burocratas que confundem planilha com desenvolvimento e por governos que preferem aumentar a carga sobre quem produz a enfrentar a ineficiência de quem consome. É o velho vício nacional: quando falta projeto, sobra imposto.

O debate sobre a jornada de trabalho

Essa lógica também contamina o debate sobre trabalho. A discussão sobre a jornada 6x1, por exemplo, não pode ser empurrada ao País como palavra de ordem. O setor produtivo não é contra mudanças. Seria míope negar que as relações de trabalho mudaram e que qualidade de vida faz parte da economia moderna. O problema não está em discutir, mas em simplificar. Não se pode tratar como iguais uma fazenda, uma agroindústria, um frigorífico, uma operação logística, um hospital, uma indústria de alimentos, um supermercado e um pequeno comércio. Há setores com sazonalidade, perecibilidade, turnos contínuos, safra, atendimento essencial e margens estreitas. Alterar a organização do trabalho sem analisar cada realidade é legislar no escuro.

Defender análise caso a caso não é ser contra o trabalhador. É compreender que não existe trabalho digno sem empresa viável. A política pública responsável protege quem trabalha sem destruir quem emprega. O resto é retórica bonita com consequência feia: mais informalidade, menos contratação, aumento de custo, perda de competitividade e fechamento de portas.

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O caminho para o desenvolvimento

O País precisa reencontrar a noção de equilíbrio. Não há desenvolvimento sem empresa forte. Não há arrecadação sustentável sem crescimento. Não há emprego sem investimento. Não há agro competitivo com estrada ruim, crédito caro, insegurança jurídica, excesso regulatório e uma máquina pública que acredita que riqueza nasce por decreto. Também é preciso abandonar a ilusão colonial de que basta produzir e exportar matéria-prima. O Brasil não pode ser apenas fornecedor de grãos, minérios e proteína bruta enquanto importa tecnologia, máquinas sofisticadas, insumos estratégicos e produtos de maior valor agregado. O futuro está em industrializar o agro, transformar biomassa em energia, grão em proteína, dados em inteligência, produção rural em marca global.

Enquanto o Brasil oficial continuar olhando para o agro apenas como fonte de arrecadação, estaremos pagando ingresso para assistir ao cavalo passar arreado. Temos produção, tecnologia, empresários, trabalhadores, mercados e vocação. Falta-nos projeto. Falta-nos coragem. Falta-nos abandonar a obsessão fiscalista e apertar, de uma vez por todas, o botão do desenvolvimento.