Professora denuncia vídeos pornográficos criados por IA em Feira de Santana
Professora denuncia vídeos pornográficos criados por IA

Uma professora de 47 anos, que atua em uma escola particular de Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, registrou boletim de ocorrência após descobrir que sua imagem foi manipulada por inteligência artificial (IA) e publicada em uma plataforma de conteúdo adulto. O caso, que veio à tona no dia 20 de julho, quando a vítima foi alertada por estudantes, está sendo investigado pela Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), que suspeita do envolvimento de adolescentes de 15 e 17 anos, possivelmente alunos ou ex-alunos.

Descoberta e impacto emocional

Em entrevista à TV Subaé, afiliada da Rede Bahia na região, a professora relatou que estava no ambiente de trabalho quando recebeu os alertas. "Eu estava no meu ambiente de trabalho e algumas pessoas me alertaram afirmando que tinha um vídeo meu em uma plataforma de pornografia. Na hora, eu nem me atentei. Depois, me deu um estalo e eu fui ver o que estava acontecendo", contou.

Ao acessar o site, ela encontrou dois vídeos com sua imagem manipulada. No primeiro, aparecia vestindo a camisa da empresa, com dez segundos de duração, que já havia acumulado 15 mil visualizações. O segundo, com 12 mil visualizações, era uma montagem de uma imagem frontal dela com uma cena de sexo oral. "Na hora que eu vi, eu engasguei, faltou ar, faltou chão", desabafou.

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Providências legais e investigação

Após localizar as publicações, a professora fez capturas de tela, copiou os links e registrou boletim de ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam). Ela também procurou a Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), que assumiu a investigação. Segundo a vítima, a polícia aguarda a análise técnica para iniciar o rastreamento do endereço de IP utilizado na publicação. Até o momento, o responsável não foi identificado.

Além de buscar a responsabilização dos envolvidos, a professora decidiu tornar o caso público para alertar outras pessoas sobre os riscos do uso criminoso da inteligência artificial. "É um carrossel de sensações. É medo, é angústia, ansiedade, indignação, porque você não escolhe estar ali. Sua imagem foi pega, foi utilizada de um jeito que você jamais espera. Eu jamais esperaria estar aqui agora falando sobre isso, mas é necessário, porque as pessoas precisam entender que quem está naquele vídeo é, antes de tudo, uma pessoa", afirmou.

Motivação e preocupação com adolescentes

A professora acredita que a motivação não tenha sido sexual, mas de humilhação e constrangimento. Ela também demonstrou preocupação com a possibilidade de os autores serem adolescentes e com a facilidade de acesso às ferramentas de IA. "Eu também quero fazer dessa situação um alerta, uma voz, para mostrar que a gente não pode se calar. Quando a gente se cala, fortalece esse tipo de atitude. O certo é denunciar para que as pessoas entendam que a internet não é mais terra de ninguém e que existem consequências para esse tipo de crime", disse.

Contexto e alerta

O caso reforça a necessidade de debate sobre os limites éticos do uso de inteligência artificial e a proteção de dados pessoais. A divulgação não autorizada de imagens manipuladas, conhecida como deepfake, é crime e pode gerar consequências legais para os responsáveis. A polícia orienta que outras vítimas procurem as autoridades para registrar ocorrência e auxiliar nas investigações.

A professora espera que sua denúncia sirva de exemplo e encoraje outras pessoas a buscarem justiça. A investigação segue em andamento, e novas informações podem surgir com a análise técnica dos vídeos e o rastreamento do IP.

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