Imagens de uma câmera de segurança registraram o momento em que um professor de jiu-jítsu, identificado como Ângelo Carioca, agrediu um adolescente na tarde de terça-feira (28), no Conjunto Ajuricaba, bairro Alvorada, em Manaus. O vídeo, que rapidamente se espalhou pelas redes sociais, mostra o professor, vestindo camisa rosa, em uma discussão acalorada com o jovem. Segundos depois, ele desfere socos e tapas contra o adolescente, que cai no chão. Após as agressões, ambos continuam discutindo até que o professor deixa o local.
Defesa do professor
Em resposta à repercussão, Ângelo Carioca publicou um vídeo em suas redes sociais afirmando que as imagens divulgadas foram editadas e não mostram o contexto completo. Segundo ele, a agressão teria ocorrido após o adolescente maltratar um animal. "Foi pra defender um animal indefeso e isso veio do meu coração. Eu ajudo as pessoas de coração e aquilo mexeu com minha emoção, pois o garoto queria matar o animal e eu não queria que isso acontecesse. O vídeo foi editado. Só tem a parte dele. O rapaz estava agredindo o animal, eu chamei a atenção dele, que automaticamente muito agressivo começou a engrossar e falar palavras de baixo calão. Ele falou que assim que eu saísse ele ia matar o animal", explicou o professor.
Investigação e busca por familiares
A polícia ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas o g1 está tentando localizar o adolescente e seus familiares para obter a versão deles sobre o ocorrido. A agressão levanta debates sobre os limites da autodefesa e a violência urbana em Manaus, cidade que tem registrado aumento de casos de agressões em vias públicas. Especialistas em direito criminal destacam que, mesmo em situações de defesa de terceiros, a reação deve ser proporcional à ameaça, e agressões físicas podem configurar lesão corporal, passível de punição legal.
Repercussão nas redes
O caso gerou grande repercussão nas redes sociais, com opiniões divididas. Enquanto alguns internautas apoiam o professor, argumentando que ele agiu para proteger um animal, outros condenam a violência contra o adolescente, independentemente das circunstâncias. A Associação de Moradores do Conjunto Ajuricaba informou que está monitorando a situação e aguarda posicionamento das autoridades. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas foi procurada, mas ainda não se manifestou.
Contexto de violência em Manaus
Dados recentes da SSP-AM indicam que a capital amazonense registrou uma média de 15 ocorrências de violência por dia em 2024, com destaque para brigas e agressões em espaços públicos. O caso do professor Ângelo Carioca acendeu um alerta sobre a necessidade de mediação de conflitos e educação para a não violência, especialmente entre adultos e adolescentes. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) seccional Amazonas recomendou que as partes busquem soluções legais e evitar justiça com as próprias mãos.



