Uma mulher de 41 anos foi presa preventivamente em Abatiá, no Norte do Paraná, acusada de encomendar o assassinato de uma funcionária de uma Casa Lar. Além disso, ela também ameaçou o próprio filho de 16 anos com uma faca para evitar que ele denunciasse o plano às autoridades. A informação foi divulgada pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), que denunciou a mulher e seu marido pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado, perseguição e coação.
Denúncia e prisão
Segundo o MP, a prisão preventiva da mulher foi deferida pela Justiça no dia 10 de julho como medida para garantir a integridade dos servidores públicos da Casa Lar. O casal foi denunciado por planejar matar a servidora, que não foi ferida e está bem. Os nomes não foram divulgados para proteger a identidade dos filhos e da vítima. O g1 tenta localizar a defesa dos acusados.
Motivação: perda da guarda dos filhos
A investigação da Polícia Civil apontou que a mulher culpava a servidora pela perda da guarda de seus três filhos. O MP acompanha a situação da família desde pelo menos 2022, quando a Promotoria de Justiça de Ribeirão do Pinhal tentou manter as crianças com os pais, mas foi necessária a retirada da guarda devido a um "grave quadro de negligência e da situação de risco", conforme o delegado Luis Guilherme Almeida. "As crianças estariam sofrendo maus-tratos, não estariam tendo alimentação adequada, não estariam tendo o ensino adequado e não estariam frequentando a escola. Teria ali a prática de abandono intelectual e maus-tratos", explicou o delegado.
Plano descoberto pelo filho
O adolescente, que vivia em acolhimento, continuava visitando os pais. Durante uma visita, ouviu a mãe encomendando o assassinato de uma funcionária. Ele então pegou o celular dela e encontrou conversas com um intermediário, nas quais a suspeita negociava o pagamento de R$ 3 mil pelo crime. Em uma das mensagens, ela escreveu: "Vamos deixar para o dia sete, é o dia em que eu recebo". Os prints obtidos pela polícia mostram a mulher afirmando que queria "apagar uma infeliz do mapa" e que a vítima "tomou" seus filhos e "fez a cabeça" do promotor.
Papel do intermediário
Quando o adolescente e a funcionária procuraram a polícia, as mensagens já haviam sido excluídas do celular da suspeita. No entanto, a investigação identificou o intermediário, que colaborou e forneceu os prints da conversa. "Ele estava tratando para ver até onde a investigada chegaria, se ela realmente pagaria. E, assim, segundo ele, ele levaria em seguida essa informação para a Polícia Civil", contou o delegado. O intermediário não foi preso e suas informações foram cruciais para a apuração do crime e a prisão da mulher.
Consequências legais
O MP pediu a condenação do casal pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado (por motivo fútil e com recurso que dificultaria a defesa da vítima), perseguição (monitoramento reiterado de quatro servidores) e coação (ameaça ao filho). Além disso, solicitou indenização de R$ 100 mil por danos morais às vítimas. O órgão destacou que o crime só não foi consumado porque o filho alertou a vítima, levando o executor contratado a desistir. O MP também reforçou que fiscaliza regularmente a Casa Lar e que nenhuma irregularidade foi encontrada no atendimento.



