PF: Vorcaro ordenou operação discreta para voo de Jaques Wagner
PF: Vorcaro ordenou operação discreta para voo de Wagner

A Polícia Federal (PF) concluiu que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro orientou uma operação considerada "discreta" para acomodar o voo privado do senador Jaques Wagner (PT-BA), determinando a troca de hangar, a retirada imediata da aeronave e outras medidas para evitar a identificação do deslocamento do parlamentar. As informações constam em relatório da investigação que apura possíveis irregularidades envolvendo o ex-presidente do Banco Master.

Detalhes da operação sigilosa

Segundo a PF, Vorcaro teria instruído sua equipe a agir com máximo sigilo para que o voo do senador passasse despercebido. Em uma das comunicações interceptadas, ele teria dito: "Nem apaga o motor", sugerindo que a aeronave deveria permanecer pronta para decolar a qualquer momento, sem chamar atenção. A determinação incluía a mudança de hangar no aeroporto de Salvador, além da remoção imediata da aeronave após o pouso, para que não fosse registrada por câmeras ou por outros passageiros.

Impacto político e legal

O episódio levanta questionamentos sobre a relação entre o setor financeiro e políticos. Jaques Wagner, ex-governador da Bahia e atual senador, afirmou que desconhecia qualquer medida sigilosa e que seu voo foi realizado dentro da legalidade. No entanto, a PF vê indícios de que Vorcaro tentou ocultar a viagem, o que pode configurar obstrução de investigação. As autoridades agora analisam se a conduta de Vorcaro e de outros envolvidos pode ser enquadrada em crimes como prevaricação ou favorecimento pessoal.

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Contexto da investigação

A investigação faz parte de um inquérito mais amplo sobre supostas fraudes no Banco Master, instituição da qual Vorcaro era controlador. O banco foi alvo de intervenção do Banco Central em 2023, e desde então a PF apura possíveis desvios de recursos e uso de informações privilegiadas. A participação de Jaques Wagner no caso, ainda que como passageiro de um voo, trouxe repercussão política, especialmente por envolver um senador da base aliada do governo Lula. A PF deve ouvir nos próximos dias tanto Vorcaro quanto o senador para esclarecer os fatos.

Reações oficiais

Até o momento, nem Vorcaro nem sua defesa se pronunciaram oficialmente sobre as acusações. O senador Jaques Wagner, por nota, reiterou que não solicitou qualquer tratamento especial e que desconhece as alegações da PF. A oposição, no entanto, já pediu a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o caso, argumentando que o sigilo demonstra tráfico de influência. O governo Lula tenta minimizar o episódio, mas a pressão aumenta por esclarecimentos.

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