Policiais civis de Itu são denunciados por extorsão e abuso de autoridade
Policiais civis de Itu denunciados por extorsão e abuso

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Sorocaba denunciou policiais civis de Itu (SP) por extorsão, abuso de autoridade e associação criminosa. O caso teve início após a abordagem de um casal de namorados que estava em um carro de luxo com uma pequena porção de haxixe. Os agentes teriam exigido R$ 250 mil para libertar a mulher e liberar os veículos apreendidos. Um advogado também foi denunciado por supostamente redigir um contrato fictício de honorários para mascarar a propina.

Detalhes da denúncia

De acordo com a denúncia, apresentada à Justiça em maio e que tramita em sigilo em Indaiatuba, os policiais inicialmente prenderam e algemaram a namorada, sem que ela tivesse cometido qualquer ato ilegal. Em seguida, foram até a residência dela, sem mandado judicial, e apreenderam clandestinamente o veículo da jovem. Também se dirigiram à casa dos pais do motorista, onde encontraram mais droga.

Na delegacia, os policiais civis começaram a extorsão, cobrando R$ 250 mil pela liberdade da vítima e pela devolução dos veículos. Foi nesse contexto que o advogado Anderson Antônio Caetano, a pedido dos policiais, usou um computador funcional da Polícia Civil para redigir um contrato fictício de honorários advocatícios no valor de R$ 250 mil, dos quais R$ 50 mil deveriam ser pagos imediatamente via PIX.

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Desfecho da extorsão

O pagamento não se concretizou porque um policial civil de outra comarca, noivo da advogada legítima da família, percebeu a situação e acionou outros agentes. A intervenção forçou os investigados a formalizar apenas o flagrante do motorista pela droga e liberar a namorada.

Defesas dos denunciados

A defesa do policial civil Cirineu Yasuda Alves de Lima afirmou que o processo tramita em segredo de Justiça e que o cliente comprovará sua inocência, criticando a investigação preliminar do Gaeco como inconsistente. O advogado Anderson Antônio Caetano, por meio de sua defesa, classificou a denúncia como "totalmente fantasiosa" e "fundamentada numa manipulação severa de provas inexistentes", ressaltando que a ampla defesa demonstrará sua inocência.

Já a defesa do policial civil Francisco Diogo Neto disse que aguarda acesso integral aos autos e está certa de que a inocência será demonstrada. A defesa de Cristian Antunes de Calvilho declarou que ele se declara inocente e provará a verdade dos fatos em juízo.

Suspeição e reações institucionais

O caso tramita em Indaiatuba porque juízes de Itu apresentaram pedido de suspeição, mecanismo jurídico que permite afastar um juiz por indícios de parcialidade. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) informou que o processo está em segredo de Justiça. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que os fatos foram investigados pela Corregedoria da Polícia Civil e o inquérito foi arquivado pela Justiça, mas a Polícia Civil reafirma seu compromisso com a legalidade e colaboração com o Ministério Público.

O Ministério Público, por sua vez, informou que o conteúdo integral do processo foi vazado e amplamente divulgado nas redes sociais, pedindo apuração do caso. Um policial militar também é investigado, mas o processo tramita na Justiça Militar devido ao cargo.

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