O pai de uma bebê de 10 meses que morreu após ser vítima de estupro em Fortaleza desabafou sobre o crime. Erisvaldo Almeida afirmou que não consegue realizar atividades básicas, como sair de casa e se alimentar, desde que soube da morte da filha. O crime ocorreu na segunda-feira (13), no bairro Dionísio Torres.
Pai soube da morte por telefone
Erisvaldo estava voltando de uma viagem quando recebeu a ligação da ex-mulher, mãe da criança. “Não estou suportando. Acabou com a minha vida, eles acabaram com a minha vida, esses desgraçados. Eu ainda estou tão em choque que eu não saio de casa, não como, eu não consigo... Eu não consigo entender como é que um ser humano tem coragem de fazer isso com uma criança, um bebê de 10 meses”, disse Erisvaldo.
O casal está separado há dois meses. Além da bebê, eles têm um filho de 3 anos. Inicialmente, a ex-mulher disse que a criança havia sido asfixiada com um lençol. “Eu fiquei em choque, em pânico”, lembrou o pai.
Mãe achou que filha estava engasgada
A mãe da criança estava no local do crime e acreditou, inicialmente, que a filha estivesse engasgada. Chamou a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros, mas, como o socorro não chegou, decidiu levar a bebê a uma unidade de saúde por conta própria.
“Aí eu comecei a ligar para a família, o pessoal não me dizia nada, dizia só a mesma coisa, ou ela tinha sido asfixiada, ou ela tinha dormido por cima da menina”, comentou o pai. “Eu não tenho força nem para sair de casa, para ir atrás de fazer qualquer coisa, eu não consigo acreditar nisso… Quando vem na minha mente ela sorrindo para mim na videoconferência quando eu ligava pra ela, [a morte] não vem na minha mente. Eu não acredito, não estou acreditando, não caiu a ficha”, lamentou.
Pai não conseguiu acompanhar enterro
Erisvaldo disse que não conseguiu participar do enterro da filha. “No velório, eu pedi o meu momento, o resto da família dela [mãe da criança] atendeu. Eu fiquei um pedaço só com a minha filha. Fui para o velório, fui para todos os cantos, mas não consegui enterrar a minha filha de jeito nenhum”, afirmou.
Suspeitos presos
Dois suspeitos foram presos em flagrante: Francisco Ray Rodrigues Magalhães, de 22 anos, e Roberto Levy Oliveira Magalhães, 26. Francisco Ray tinha um relacionamento com a mãe da criança. Eles estavam em um apartamento no bairro Dionísio Torres. Junto com o casal estava Roberto Levy, primo de Francisco Ray. Levy foi encontrado com o corpo em cima da bebê.
A criança foi levada a uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), profissionais da saúde constataram no hospital que a criança havia sido vítima de violência sexual.
Defesa de suspeito se manifesta
A defesa de Francisco Ray Rodrigues Magalhães, representada pela advogada Gleyce Kelly Leitão, disse que o cliente colabora com as investigações, tendo se submetido voluntariamente à coleta de material genético. “Esclarece, ainda, que seu cliente afirma não estar sequer no mesmo quarto em que a criança dormia, circunstância que será devidamente analisada no curso da investigação”, informou a nota. A defesa de Roberto Levy Oliveira Magalhães não foi localizada.
Pai soube do estupro na delegacia
Ao chegar em Fortaleza, Erisvaldo foi a uma delegacia para entender o que havia acontecido. Lá, agentes informaram que havia suspeita de estupro. “Eles falaram: ‘é o seguinte, até o momento, a sua filha não foi asfixiada, ela foi, ela não morreu por conta própria. Ela foi morta, porque as partes íntimas dela estavam com marcas vermelhas como se fosse sangue’”, lembrou o pai. “Eu estou totalmente revoltado, indignado, eu estou querendo justiça de todas as formas”, reforçou.
Além dos dois presos, outras pessoas foram levadas à delegacia para prestar esclarecimentos. A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos da Perícia Forense e dá continuidade às investigações. A Perícia Forense do Ceará (Pefoce) informou que foram realizados exames periciais no local e exame cadavérico.



