Vídeos de uma mulher trans presa por suspeita de tentativa de homicídio em Bacabal, a 240 km de São Luís, viralizaram nas redes sociais. Nas gravações, Maria Clara afirma que atacou um homem com golpes de facão após ele e a companheira terem ameaçado e agredido sua mãe. As declarações, feitas após a prisão, não mostram o ataque, mas incluem confissões e ameaças de morte contra as vítimas.
O ataque e as motivações
Segundo a decisão judicial obtida pelo g1, a confusão começou quando Yasmin de Sousa Pereira atingiu Antônia de Souza, mãe de Maria Clara, com um pedaço de madeira. Em resposta, Maria Clara avançou contra Yasmin com um facão. José Ferreira da Silva Neto, companheiro de Yasmin, interveio para defendê-la e passou a ser o alvo direto dos golpes. Ele foi atingido no antebraço direito e na mão esquerda, sofrendo um corte profundo, lesão em um tendão e perda de tecido. José foi socorrido pelo Samu e levado ao Hospital Regional Laura Vasconcelos, onde passou por uma cirurgia de emergência. O estado de saúde dele não foi informado.
O caso ocorreu em um imóvel conhecido como prédio da antiga Coca-Cola, no Centro de Bacabal. Um drone do 15º Batalhão da Polícia Militar, que sobrevoava a região por conta de um evento, registrou a briga. Após a identificação, uma equipe foi ao local e encontrou Antônia de Souza com um ferimento na cabeça. Maria Clara foi presa no local, e o facão foi apreendido.
Vídeos viralizam com confissões e ameaças
Em uma das gravações, feita durante a chegada à delegacia, Maria Clara é abordada pelo repórter Samuel David, do portal Meu Bixim. Inicialmente, ela recusa entrevista, mas depois confessa a tentativa de homicídio. “Não, eu não tô arrependido, não. Eu arrependi porque eu não matei. Se eu tivesse matado, ia ficar melhor”, disse. Ela também declarou que pretende matar o casal caso deixe a prisão, alegando que eles denunciaram um ponto de venda de drogas ligado a ela. “Minha mãe não vende, quem vende sou eu. (...) 'Cagueta' tem que morrer”, afirmou.
As falas repercutiram nas redes sociais, com usuários comentando que o advogado teria dificuldades para defendê-la. Os vídeos foram citados na decisão que converteu a prisão em flagrante em preventiva na segunda-feira (27).
Decisão judicial e prisão preventiva
O juiz João Bruno Farias Madeira destacou que as provas audiovisuais indicam risco à integridade física das vítimas caso Maria Clara fosse solta. “A segregação cautelar revela-se indispensável à garantia da ordem pública e ao resguardo da incolumidade física da vítima, com vias a prevenir a prática de novas condutas violentas”, escreveu na decisão. Ele também considerou a gravidade das lesões, a necessidade de cirurgia e o fato de Maria Clara possuir duas condenações anteriores e responder a outra ação penal em andamento.
Durante a audiência de custódia, o Ministério Público do Maranhão (MP-MA) pediu a conversão em preventiva, enquanto a defesa solicitou relaxamento da prisão ou liberdade provisória com medidas cautelares. O juiz homologou o flagrante e decretou a preventiva. Maria Clara permanece presa. A Polícia Civil continua investigando o caso e deverá concluir o inquérito antes de encaminhá-lo ao MP.



