O assassinato de Paulo César Farias, o PC Farias, ex-tesoureiro do presidente Fernando Collor de Mello, completa 30 anos nesta segunda-feira (23) sem que a Justiça tenha apontado os responsáveis. O empresário, figura central no esquema de corrupção que levou ao impeachment de Collor em 1992, foi encontrado morto a tiros na cama de sua casa de praia em Maceió, ao lado da namorada Suzana Marcolino, na madrugada de 23 de junho de 1996. O crime ocorreu dias antes de PC depor em uma investigação sobre corrupção.
O crime e as primeiras suspeitas
Os corpos foram descobertos por funcionários da casa. PC Farias apresentava um tiro na cabeça, e Suzana, dois tiros. A versão inicial da polícia foi de homicídio seguido de suicídio, mas logo surgiram suspeitas de que se tratava de uma execução para silenciar o ex-tesoureiro. Segundo o delegado responsável na época, "havia indícios de que o crime foi planejado para parecer um suicídio". Laudos periciais divergentes alimentaram a controvérsia: enquanto um apontava suicídio, outro indicava homicídio.
Investigação e julgamento
O caso foi arquivado e reaberto diversas vezes. Em 2013, a Justiça de Alagoas realizou um julgamento que absolveu os três acusados — um ex-policial e dois seguranças de PC — por falta de provas. O Ministério Público de Alagoas, que defendia a tese de homicídio, recorreu, mas o Tribunal de Justiça manteve a absolvição. Até hoje, não há condenados. O advogado da família de PC, em entrevista recente, afirmou: "Acreditamos que PC foi vítima de uma queima de arquivo para evitar que revelasse nomes importantes do esquema de corrupção".
Impacto político e legado
PC Farias foi o operador do esquema de corrupção que desviou milhões de dólares durante o governo Collor. Sua morte, às vésperas de um depoimento crucial, levantou suspeitas de envolvimento de políticos poderosos. O caso permanece como um dos maiores mistérios da história criminal brasileira, simbolizando a impunidade em crimes de colarinho branco. Especialistas apontam que a falta de solução contribui para a descrença na Justiça. O jornalista que cobriu o caso desde o início, em depoimento ao acervo, disse: "A morte de PC Farias é um marco da impunidade no Brasil. Até hoje, ninguém foi responsabilizado".



