Vinte e oito anos após perder a mãe, Bruno Fernandes se tornou assistente de acusação do Ministério Público no processo contra o suspeito do crime. Ivaneide Barbosa Fernandes Silva foi morta a facadas em 9 de julho de 1998, em Milhã, interior do Ceará. Bruno tinha apenas dois anos na época.
O crime e a descoberta do processo
Ivaneide trabalhava em um bar e foi atacada na porta do estabelecimento, por volta das 21h30, com dois golpes de faca. O acusado havia comprado a arma pouco antes. O crime ocorreu há exatos 28 anos, e o réu ficou foragido por mais de duas décadas. Em junho de 2026, Bruno foi habilitado como assistente de acusação, podendo auxiliar o Ministério Público no julgamento, que ainda será realizado por júri popular.
Até recentemente, Bruno e seus três irmãos acreditavam que o crime havia prescrito. No entanto, ao acompanhar a repercussão do feminicídio de Ana Kévile, em Deputado Irapuan Pinheiro, Bruno decidiu enviar um ofício ao Ministério Público do Ceará pedindo informações sobre o caso da mãe. A resposta revelou que uma ação penal ainda estava em curso, pois a prescrição havia sido interrompida ainda em 1998.
Trajetória do acusado e atuação de Bruno
O suspeito foi preso semanas após o crime, mas fugiu da cadeia e permaneceu foragido por 25 anos. Em 2016, o Ministério Público expediu novo mandado de prisão e, com base no domicílio eleitoral, localizou o réu em Rondônia, onde foi preso em 2023. Atualmente, ele tem 63 anos e aguarda julgamento monitorado por tornozeleira eletrônica. Bruno não divulgou o nome do acusado.
“Ele se isentou da Justiça em 25 anos, é preso em outro estado, longe de onde cometeu o crime. A Justiça prende, a Justiça solta cinco meses depois porque ele está longe da família da vítima”, detalhou Bruno.
Como assistente de acusação, Bruno poderá fazer perguntas e indicar novas testemunhas. Familiares de Ivaneide, por exemplo, nunca haviam sido chamados para depor em juízo após a conclusão do inquérito.
Impacto familiar e expectativa de justiça
Ivaneide deixou quatro filhos: Bruno, duas irmãs (hoje em São Paulo) e um irmão mais velho. Bruno, hoje ouvidor-geral adjunto de Milhã, conta que só conseguiu lembrar do rosto da mãe com ajuda de fotografias. “Nada substitui o amor de mãe. A gente se pega a perguntar: como seria essa criação dela? Quem eu seria hoje?”, comentou.
A família espera que o réu seja levado a júri popular na comarca de Solonópole, ainda sem data marcada. “O nosso desejo é que se faça justiça, mesmo tardia”, afirmou Bruno.



