Feminicídios crescem 36% no interior de SP no 1º semestre
Feminicídios crescem 36% no interior de SP no 1º semestre

Os casos de feminicídio no interior de São Paulo cresceram 36% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado. O aumento acende um alerta para a violência doméstica na região, que registrou dois episódios graves no último final de semana: uma tentativa de feminicídio em Jaú e um caso de cárcere privado em Botucatu.

Tentativa de feminicídio em Jaú

Na manhã de domingo (2), uma mulher de 54 anos foi vítima de tentativa de feminicídio após ser esfaqueada pelo companheiro na região do ombro, no Jardim Orlando Ometto, em Jaú (SP). A vítima foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada à Santa Casa da cidade.

A Polícia Militar (PM) foi acionada e localizou o suspeito escondido no banheiro, armado com uma faca e sob efeito de álcool e entorpecentes. Ele ameaçava se ferir e se recusou a entregar a arma. Os policiais usaram uma arma de choque para conter o homem, que recebeu atendimento médico antes de ser encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Jaú.

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A prisão em flagrante foi ratificada pelos crimes de tentativa de feminicídio e violência doméstica. O suspeito permanece preso à disposição da Justiça, enquanto a Polícia Civil segue com as investigações.

Cárcere privado em Botucatu

Em outra ocorrência de violência contra a mulher na região, um homem foi preso por cárcere privado, agressões e ameaças de morte contra a ex-companheira, no sábado (1º), em Botucatu (SP). O caso foi atendido pela Patrulha Maria da Penha da Guarda Civil Municipal (GCM) do município, acionada pelo Centro de Operações Integradas (COI) para uma grave ocorrência de violência doméstica.

No local, a vítima relatou que o ex-companheiro não aceitava o fim do relacionamento e passou a agredi-la com chutes, tapas e puxões de cabelo. Ele também a ofendeu e a ameaçou de morte, além de danificar o celular da vítima. As agressões se intensificaram durante a manhã, quando a vítima foi levada à força para uma área de mata, onde continuou sendo agredida, arrastada pelo chão e asfixiada.

Durante a ação, o agressor afirmou que iria matá-la e gravou vídeos dizendo que ela estava em um “tribunal do crime”. Em seguida, obrigou a vítima a subir na motocicleta e realizou manobras perigosas, dizendo que provocaria a queda dela para matá-la. Ao retornarem à residência, o homem manteve a vítima em cárcere privado e impediu a saída dela.

Após algumas horas, a vítima conseguiu escapar em um momento de distração do agressor, pediu ajuda a uma pessoa e acionou a GCM. A equipe localizou o autor perto da residência. Os dois foram encaminhados ao Pronto-Socorro para atendimento médico e, depois, apresentados no Plantão Policial. Após a análise do caso, a polícia fez a prisão pelos crimes de cárcere privado, lesão corporal no contexto de violência doméstica, ameaça, injúria e furto. O agressor permaneceu preso à disposição da Justiça. O aparelho celular da vítima foi localizado e devolvido.

Números alarmantes

O aumento de 36% nos casos de feminicídio no interior paulista reflete uma tendência preocupante, que exige políticas públicas mais efetivas de prevenção e proteção às vítimas. Segundo a SSP, as forças de segurança têm intensificado operações e ações integradas, mas especialistas alertam para a necessidade de investimento em educação e acolhimento.

Os casos de Jaú e Botucatu ilustram a gravidade da situação, com agressores que agem com extrema violência e desrespeito à vida. A Patrulha Maria da Penha, presente em diversas cidades, tem sido um instrumento importante no atendimento a essas ocorrências, mas a sociedade civil também precisa se mobilizar para denunciar e apoiar as vítimas.

Se você é vítima de violência doméstica, ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190 (Polícia Militar). Em casos de emergência, procure a delegacia mais próxima.

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