Costureira morta com mãos e pés amarrados em Bujari: disputa de terras
Costureira morta amarrada em Bujari: disputa de terras

Maria do Socorro Pereira do Nascimento, de 58 anos, costureira e proprietária rural, foi encontrada morta na última sexta-feira (24) em sua casa na zona rural de Bujari, interior do Acre. A vítima estava com as mãos e os pés amarrados para trás e apresentava um ferimento profundo no lado esquerdo do pescoço, provocado por faca. O principal suspeito é um dos irmãos dela, preso na tarde de segunda-feira (27). A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio motivado por disputa de terras.

Vítima havia combinado jantar com o filho

O filho de Maria, que preferiu não se identificar, contou que estava no Acre para visitar a família e havia marcado um jantar com a mãe na capital, Rio Branco. O encontro estava programado para sexta-feira, antes de ele retornar ao estado onde mora. "Na sexta-feira, a gente tinha combinado um jantar porque eu ia embora. Toda vez que eu estava aqui, a gente reunia a família. Todo ano fazíamos uma fogueira, um arraial, mas como estava muito em cima da hora resolvemos só sair para jantar. Mas, aí ficamos sabendo do que aconteceu e infelizmente não foi possível", lamentou.

Disputa de terras como motivação

Segundo a polícia, o assassinato foi motivado por uma disputa de terras entre os familiares. Maria do Socorro mantinha uma propriedade rural em Xapuri, adquirida após a separação do ex-marido, e, por volta de 2020, comprou outra área no Bujari. Ela dividia a rotina entre as duas terras, onde trabalhava com pecuária e cultivo, além de cuidar da mãe doente em Rio Branco. O filho destacou a dedicação da mãe: "Ela cuidava sozinha de duas terras. A gente ajudava, mas cada um já seguia a própria vida. Ela trabalhou a vida inteira, criou três filhos e sempre foi muito trabalhadora".

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Caráter solidário e memória da vítima

Maria do Socorro nasceu em Xapuri, onde trabalhou na agricultura na juventude. Em 1993, mudou-se com a família para Rio Branco e passou a atuar como costureira no bairro Manoel Julião, profissão que exerceu por mais de 20 anos. O filho a descreveu como uma pessoa conhecida pela solidariedade: "Todo mundo conhecia ela. Sempre foi muito conversadora, brincava com todo mundo. Acho que provavelmente não vai existir alguém que fale o contrário disso. Sempre cuidou dos irmãos, recebia todos em casa. A vida toda foi assim". Apesar da dor, ele prefere guardar boas recordações: "Minha mãe foi em paz. Ela viveu bem o tempo que viveu, viu os filhos e os netos bem. Criou todos nós muito bem. É assim que a gente quer lembrar dela".

Detalhes do crime e investigação

O corpo de Maria do Socorro foi encontrado na noite de sexta-feira, em uma casa no km 33 da BR-364, na zona rural de Bujari. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou rigidez cadavérica, indicando que a morte ocorreu horas antes. Após perícia, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Rio Branco. O velório ocorreu no sábado (25) na capela da Funerária São Francisco. A Polícia Civil continua as investigações e não descarta outras linhas, mas a disputa de terras é a principal hipótese.

Canais de denúncia contra violência à mulher

A Polícia Militar do Acre disponibiliza números para denúncias de violência contra a mulher: (68) 99609-3901, (68) 99611-3224, (68) 99610-4372 e (68) 99614-2935. Outros canais incluem o 190 (emergência), 192 (Samu), delegacias especializadas, Disque 100, e o WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (61) 99656-5008. Profissionais de saúde devem fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência.

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