O presidente da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, deputado Dionísio Lins (Progressistas), encaminhou nesta terça-feira um pedido de informações à permissionária Trens-RJ. A solicitação ocorre em meio ao risco de interrupção de serviços essenciais por fornecedores, devido a débitos contraídos pela ex-concessionária SuperVia, estimados em R$ 15 milhões. O calote pode comprometer o funcionamento dos trens no estado.
Dívidas e responsabilidades
No documento, o parlamentar solicita esclarecimentos sobre as responsabilidades da operadora e do governo estadual, além do planejamento para quitação dos débitos. A dívida foi contraída em maio de 2026, último mês de operação da SuperVia. A Trens-RJ, consórcio Nova Via Mobilidade, assumiu o serviço em 30 de maio, mas, segundo contrato homologado pela 6ª Vara Empresarial em fevereiro, não é responsável pelo passivo da antecessora. Mesmo assim, o risco de desabastecimento persiste.
Manutenção e segurança nas estações
Dionísio Lins também questiona as despesas com manutenção preventiva e corretiva da frota, estações e equipamentos. Outro ponto é a segurança: ele pede a relação das 14 estações consideradas áreas de risco pela empresa e quais ações serão adotadas para coibir assaltos. A segurança nas plataformas é atribuição do governo estadual. Atualmente, a malha ferroviária de 270 km conta com patrulhamento do Grupamento de Policiamento Ferroviário da PM.
— Não podemos permitir que os mesmos problemas enfrentados anteriormente pelos usuários voltem a acontecer, como assaltos nas plataformas, atrasos diários das composições e o transporte de passageiros em condições precárias, como gado, em vagões sujos e sem iluminação, principalmente nos ramais que atendem à Baixada Fluminense. Tenho certeza de que o atual governo está atento à situação e irá intervir sempre que necessário — afirmou o deputado.
Violência e crime organizado
Segundo dados da própria Trens-RJ, cerca de 14 estações estão sob influência do crime organizado, já que a linha férrea corta 179 comunidades controladas por esses grupos. O parlamentar também requisitou os planos de contingência e de gerenciamento de crise para emergências, visando evitar que os usuários sejam prejudicados por problemas técnicos ou estruturais e impedir a repetição de falhas antigas.



