Uma adolescente de 17 anos foi atacada com um golpe de facão na região da nuca pelo próprio companheiro, também de 17 anos, na madrugada deste domingo (26) na comunidade indígena Cumarú, no município de Bonfim, ao Norte de Roraima. O suspeito fugiu e até o momento não foi localizado pela polícia.
O ataque na madrugada
De acordo com a Polícia Militar, o pai da vítima relatou que ouviu gritos vindos da casa da filha durante a madrugada. Ao se dirigir ao local, encontrou a adolescente sendo agredida pelo companheiro e com um ferimento profundo na nuca. O pai interveio e conseguiu interromper as agressões, momento em que o suspeito fugiu do local.
A comunidade indígena Cumarú fica em uma área afastada, o que dificultou a ação imediata da polícia. Familiares da vítima a levaram para receber atendimento médico em uma unidade de saúde da região. O estado de saúde da adolescente não foi divulgado pelas autoridades.
Socorro e buscas
A Polícia Militar realizou buscas nas proximidades da comunidade para tentar localizar o suspeito, mas ele não foi encontrado. As diligências continuam, e a polícia solicita que qualquer informação sobre o paradeiro do jovem seja repassada anonimamente pelo 190.
A vítima, ainda sob choque, relatou aos policiais que teme pela própria vida e expressou receio de que o suspeito retorne para agredi-la novamente. Segundo a PM, a orientação dada à adolescente foi que ela solicite medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.
Registro como tentativa de feminicídio
O caso foi registrado como tentativa de feminicídio na delegacia da Polícia Civil de Bonfim. A delegacia será responsável pela investigação e pela apuração das circunstâncias do ataque. O crime de feminicídio é qualificado quando cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo à condição de mulher.
Em Roraima, os casos de violência contra a mulher têm sido alvo de atenção das autoridades. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que o estado apresenta taxas elevadas de feminicídio, especialmente entre populações indígenas, que enfrentam barreiras adicionais de acesso à justiça e proteção.
Medidas de proteção e canais de ajuda
A Polícia Militar reforçou a importância de as vítimas de violência doméstica buscarem ajuda imediatamente. As medidas protetivas de urgência podem incluir o afastamento do agressor do lar e a proibição de contato com a vítima. A solicitação pode ser feita em qualquer delegacia, inclusive pela Delegacia Eletrônica da Mulher.
A Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) é um canal gratuito e sigiloso que oferece orientação e encaminhamento para órgãos competentes. Em casos de emergência, o número 190 da Polícia Militar deve ser acionado imediatamente. A comunidade indígena Cumarú e outras da região também contam com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e de organizações locais que atuam na proteção dos direitos das mulheres.
A adolescente e sua família estão sendo acompanhados por assistentes sociais e psicólogos. A Polícia Civil de Bonfim instaurou inquérito para investigar o ataque e localizar o suspeito, que pode ser indiciado por tentativa de feminicídio, crime cuja pena pode chegar a 30 anos de reclusão, se consumado.



