Quando a água começou a invadir a casa mais uma vez, a moradora Sabrina Silva revivia um drama que ainda não tinha ficado para trás. A residência da família, em Rolante, na Região dos Vales do Rio Grande do Sul, estava em reforma depois dos estragos causados pela enchente de 2024. Os reparos estavam quase concluídos e a volta para casa se aproximava. Então, vieram as novas cheias que atingiram a residência de terça (28) para quarta-feira (29). "A gente estava terminando de reformar para voltar e agora pegou essa enchente de novo", relata Sabrina.
Chuva recorde e transbordamento do rio
Mais de 100 milímetros de chuva registrados durante a noite de terça-feira provocaram alagamentos em Rolante. O volume elevado fez o rio que corta a cidade sair do leito e avançar sobre ruas da região central, deixando moradores em alerta e mobilizados para limpar casas e retirar móveis atingidos pela água. De acordo com a Defesa Civil, a chuva superou as previsões iniciais e surpreendeu pela rapidez com que elevou o nível do rio.
Sabrina Silva, moradora de Rolante, teve a casa atingida pela cheia. Segundo ela, os danos desta vez foram menores, mas o impacto emocional é inevitável para quem ainda tentava se recuperar da tragédia de 2024, quando a água provocou rachaduras nas paredes e obrigou a família a deixar o imóvel. Desde então, eles permanecem morando provisoriamente na casa de parentes enquanto as obras avançavam. "A água tomou conta de todas as peças da casa", conta.
Moradores em alerta e reconstrução
A situação enfrentada por Sabrina se repetiu em outros pontos de Rolante. A aposentada Nair Janete dos Reis, moradora da cidade há cerca de seis meses, disse ter temido que a água chegasse até a casa onde vive. "Fiquei com medo", confessa. Para muitas famílias, a quarta-feira (29) foi dedicada à limpeza. Na casa do morador Pablo Rocha, a água chegou a cerca de meio metro de altura. Durante a madrugada, ao perceber a enchente, ele priorizou ajudar vizinhos a proteger móveis e objetos antes de cuidar da própria residência. "Fui ajudar os vizinhos que precisavam de uma ajuda para erguer as coisas. Fui deixando a minha para trás", relata.
Enquanto moradores retiravam lama e descartavam itens danificados, outros lembravam das mudanças feitas após a enchente histórica do ano passado. O aposentado Sérgio Grun decidiu elevar sua casa e instalar uma proteção no portão para tentar reduzir os efeitos de futuras cheias. Segundo ele, as adaptações deram mais segurança diante de novos episódios de inundação. Na quarta-feira, a água recuou e deu lugar ao trabalho de reconstrução.
Impacto emocional e adaptações
A Defesa Civil informou que não houve registro de feridos, mas os danos materiais foram significativos em diversas residências e comércios. Muitas famílias que ainda não haviam se recuperado totalmente dos eventos de 2024 agora enfrentam um novo revés. A prefeitura de Rolante mobilizou equipes para auxiliar na limpeza das ruas e oferecer suporte aos atingidos. A comunidade se organiza em mutirões para remover a lama e salvar o que pode ser recuperado.
A experiência de Sérgio Grun reflete a resiliência dos moradores. "Depois da enchente do ano passado, eu levantei a casa e coloquei uma proteção no portão. Isso me deu mais segurança, mas a água ainda é forte", afirma. Com as novas cheias, a preocupação é que o período de reconstrução seja ainda mais longo e custoso para as famílias de baixa renda.
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