A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) está construindo um novo túnel na Estação da Luz para desafogar o fluxo diário de 90 mil passageiros que transitam entre as linhas 10-Turquesa, 11-Coral e 13-Jade da CPTM e as linhas 4-Amarela e 1-Azul do Metrô. Com previsão de entrega para meados de 2027, a obra já alcançou 80% de conclusão, mas sofreu atrasos devido a imprevistos, incluindo a descoberta de cerca de 6 mil artefatos arqueológicos.
Como funcionará o novo túnel
Atualmente, os passageiros que desembarcam dos trens e precisam seguir para o metrô utilizam um único corredor, causando congestionamentos, especialmente nos horários de pico. Com o novo túnel, quem vai para o metrô terá duas opções: o trajeto já existente, com saída na Rua Mauá, ou o novo corredor, que termina na Rua Cásper Líbero. “Estamos basicamente dobrando o tamanho do corredor para que não tenhamos um tráfego tão intenso”, explica Danilo Montevechi, engenheiro e assessor executivo da CPTM. O túnel terá 125 metros de extensão e 9 metros de largura, com capacidade para atender cerca de 250 mil pessoas por dia.
Desafios e descobertas arqueológicas
Durante a escavação, a dois metros abaixo do nível da rua, foram encontrados aproximadamente 6 mil artefatos arqueológicos, a maioria cerâmicas com mais de cem anos. Uma empresa especializada em arqueologia realizou a coleta, identificação e catalogação dos materiais. O trabalho arqueológico foi executado em paralelo à obra, mas contribuiu para a reprogramação do cronograma. Outro imprevisto foi a necessidade de desviar o traçado do túnel para evitar um edifício tombado na Rua Mauá, o que aumentou o prazo de execução.
Investimento e melhorias adicionais
O novo túnel faz parte de um pacote de obras iniciado em outubro de 2021, no valor de R$ 74,8 milhões. Além do túnel, estão sendo implantadas duas escadas rolantes e duas escadas fixas para melhorar o acesso às plataformas 2 e 3 da Estação da Luz. O método construtivo utilizado é o NATM (Novo Método Austríaco de Tunelamento), que permite cortes segmentados para demolição controlada, preservando a estrutura histórica da estação. “Por ser uma estação dos anos 1800, tivemos muito cuidado para não mexer no trilho nem na estrutura, e isso nos dá muito orgulho”, afirma Fernandes Pereira, engenheiro e gerente de obra da CPTM.
História da Estação da Luz
Inaugurada em 1867 para atender a São Paulo Railway, a estação ligava a capital ao porto de Santos para escoar café. O prédio atual, projetado pelo arquiteto britânico Charles Henry Driver, foi construído entre 1895 e 1901 com materiais trazidos da Inglaterra. A estação resistiu a dois grandes incêndios: um em 1946, que destruiu parte da cobertura, e outro em 2015, que atingiu o Museu da Língua Portuguesa, instalado no edifício desde 2006. Tombada pelo Condephaat em 1982 e pelo Iphan em 1996, a Luz segue como um dos principais cartões-postais de São Paulo e um ponto crítico do transporte público.



