O Porto de Santos, maior da América do Sul, teve suas operações paralisadas por 20 horas e 25 minutos em julho devido a nevoeiros que reduziram a visibilidade no canal de navegação. O Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado (Sindamar) informou ao g1 que os navios parados causaram um prejuízo estimado em US$ 800 mil, equivalente a R$ 4,1 milhões, com base na cotação do dólar a R$ 5,12.
Paralisação afeta programação e gera multas
A interrupção da navegação provoca atrasos nas programações dos navios e nos carregamentos, acarretando prejuízos milionários para os armadores. "Navio parado é prejuízo. Afeta os embarques e descargas, e pode afetar as escalas do navio em algum porto para cumprimento do seu schedule [programação]", afirmou o diretor-executivo do Sindamar, José Roque. Ele destacou que a baixa visibilidade interrompe a navegação por segurança, para evitar acidentes que poderiam fechar o cais por tempo indeterminado.
Detalhamento das horas paradas
As atividades ficaram suspensas nos seguintes períodos: 1º de julho, das 7h05 às 8h35 e das 9h45 às 12h10 (total de 3h55); e nos dias 2 e 3 de julho, das 3h50 às 14h e das 18h20 às 0h40 (total de 16h30). Somando, chega-se a 20h25 de paralisação. A Praticagem de São Paulo informou que o tráfego foi paralisado por determinação da Capitania dos Portos, pois a visibilidade estava inferior a 500 metros no canal de navegação.
Operações no cais continuam
A Autoridade Portuária de Santos (APS) acrescentou que a interrupção da navegação no canal não afetou as demais operações do cais santista. A movimentação retroportuária e a carga e descarga de embarcações já atracadas continuaram normalmente durante todo o período.
Custo por hora e multas
De acordo com Roque, um navio parado pode custar de US$ 128 mil a US$ 512 mil por hora, dependendo do tipo de embarcação. Além do custo fixo, os terminais podem aplicar multas por atrasos nas saídas. O Sindamar divulgou que as penalidades variam, mas geralmente custam entre R$ 7 mil e R$ 8 mil por seis horas.
Navios afetados e prejuízo total
O Sindamar afirmou que a paralisação afetou 19 navios, gerando prejuízo de aproximadamente US$ 800 mil. Os números foram confirmados com o Porto de Santos e empresas associadas. A praticagem informou que apenas seis manobras de saída e oito de entrada não puderam ser realizadas, sendo concluídas entre 0h40 e 10h do dia 3 de julho. O prejuízo é calculado com base no período em que os navios ficaram parados.
Medidas futuras para mitigar impactos
A APS informou que a expectativa é mitigar os impactos com a implementação do VTMIS (Vessel Traffic Management Information System), que contará com estações meteorológicas e oceanográficas equipadas com sensores, incluindo o "visibilímetro", que mede as condições de visibilidade. O sistema permitirá prever condições ambientais e planejar manobras com precisão, reduzindo o tempo de interrupção do canal e ampliando a eficiência e segurança portuária.
O que é o nevoeiro?
A meteorologista Ana Avila, do Cepagri/Unicamp, explicou que neblina e nevoeiro são praticamente o mesmo fenômeno, diferenciados pela visibilidade: neblina permite enxergar além de 1 km, enquanto o nevoeiro é mais intenso. Ambos ocorrem devido à alta umidade e redução das temperaturas noturnas, formando gotículas de água em suspensão.
Nevoeiro deve aumentar com aquecimento global
O professor Ronaldo Christofoletti, da Unifesp e presidente do Grupo de Especialistas em Cultura Oceânica da Unesco, afirmou que o nevoeiro tende a aumentar devido ao aquecimento global. "A gente tem tido massas de ar cada vez mais quentes, a temperatura do planeta cada vez mais quente, e aí é mais frequente e mais fácil a gente encontrar esses momentos que esteja quente e úmido", explicou.



