Demanda global por carga aérea sobe 8,5% em junho, diz IATA
Carga aérea global cresce 8,5% em junho, aponta IATA

A trégua parcial entre Estados Unidos e Irã em junho deu um alento ao setor de cargas aéreas. Segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), a demanda global por carga aérea voltou a se fortalecer no mês, com o indicador de toneladas-quilômetro de carga (CTKs) do setor como um todo aumentando 8,5% em relação ao ano anterior.

Desempenho regional e capacidade

Embora parte da expansão tenha sido atribuída ao retorno de operações de companhias do Oriente Médio, o principal destaque em junho foi o forte desempenho da América do Norte. O tráfego internacional de carga expandiu 9,6% na comparação anual, com as transportadoras norte-americanas liderando o crescimento. A aceleração acentuada entre as transportadoras do Oriente Médio marcou a melhora regional mais significativa no crescimento anual.

A capacidade do setor, medida em toneladas-quilômetro de carga disponível (ACTKs), aumentou 4,4%, abaixo do ritmo da demanda, resultando em fatores de ocupação de carga (CLF) mais elevados. A oferta expandiu na maioria das regiões, embora as transportadoras africanas tenham reduzido a capacidade disponível.

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Preços de combustível e rendimentos

Ainda segundo o boletim da IATA, os preços mensais dos combustíveis tiveram alívio em junho com a melhora do fluxo de petróleo pelo Golfo Pérsico. Os rendimentos (yields) da carga aérea em dólar registraram a primeira queda mensal após um período sustentado de aumentos. No entanto, tanto os preços do querosene de aviação quanto os yields permaneceram bem acima dos níveis do ano anterior.

Detalhes regionais

Os ganhos do setor se concentraram em dois grandes mercados. As transportadoras norte-americanas registraram o ritmo mais rápido, com 13,1% em relação ao ano anterior, adicionando mais de 700 milhões de CTKs e gerando quase 38% do aumento do setor. As transportadoras da Ásia-Pacífico avançaram 7,9%, contribuindo com 670 milhões de CTKs e 34% do aumento. Juntas, as duas regiões produziram quase três quartos do tráfego adicional.

As transportadoras europeias registraram um sólido aumento de 6,9%, enquanto as da América Latina e Caribe ficaram atrás do mercado, com alta de 3,5%. As companhias aéreas do Oriente Médio registraram aumento de 5,6% na demanda, com capacidade subindo 2,5%. A IATA destaca que esses resultados são tendenciosos para o positivo, pois a comparação é com junho de 2025, mês particularmente fraco para a região devido a interrupções por conflitos militares.

Principais corredores

A análise de todas as operadoras em rotas comerciais mostra que os mercados ligados à Ásia forneceram a fonte mais clara de força. O corredor Ásia–América do Norte, o maior, subiu 14,7%, ampliando pelo quinto mês consecutivo, impulsionado pela demanda de IA e semicondutores. O tráfego intra-asiático cresceu 7,2%, também beneficiado por cargas de IA. Europa–Ásia avançou 7,1%, estendendo sua sequência de crescimento para 40 meses consecutivos.

O tráfego transatlântico permaneceu amplamente estável, mas melhorou em relação a maio: Europa–América do Norte acelerou 1,8 ponto percentual, encerrando três meses de contração, embora ainda não tenha retornado ao crescimento. Em contraste, os corredores do Oriente Médio permaneceram desiguais: Europa–Oriente Médio contraiu 41,1%, a queda mais acentuada entre as principais rotas, deteriorando-se em mais 20,2 pontos percentuais ante maio. Oriente Médio–Ásia também contraiu 4,1%, mas o ritmo da queda diminuiu 11,8 pontos percentuais. A melhora no desempenho das transportadoras do Oriente Médio ainda não produziu uma restauração uniforme de todos os fluxos ligados aos hubs.

Fator de ocupação de carga

O fator de ocupação de carga (CLF) do setor como um todo ficou em 46,9% em junho, alta de 1,8 ponto percentual ante o mesmo mês de 2024. A utilização também ficou ligeiramente acima de maio. “Aeronaves mais cheias fortaleceram o balanço comercial e mostraram que o espaço adicionado estava sendo absorvido. A configuração mais apertada também deixou menos margem operacional caso uma disrupção geopolítica ou mudanças repentinas nos fluxos comerciais restrinjam a flexibilidade da rede”, disse a IATA.

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As transportadoras africanas registraram o maior ganho anual no CLF, com alta de 5,4 pontos percentuais para 48,1%, mas reforçado por retirada de capacidade. As da Ásia-Pacífico tiveram a maior utilização (51,8%), seguidas pelas europeias (50,5%). As do Oriente Médio atingiram 46,5% com o retorno do tráfego de transferência, e as norte-americanas subiram para 40,7%. As transportadoras da América Latina e Caribe foram exceção: o CLF caiu 2,1 pontos para 33,9%, devido a um aumento de capacidade de 9,8% que superou o crescimento de tráfego de 3,5%.

Rendimentos e preços do petróleo

A melhora no fluxo de petróleo pelo Golfo Pérsico reduziu a pressão sobre os preços de energia, embora trocas intermitentes de tiros tenham mantido os mercados em alerta. Iniciativas diplomáticas e discussão de cessar-fogo elevaram expectativas de normalização. Em junho, o preço médio do Brent à vista caiu cerca de 20% ante maio, para US$ 85,5 por barril, em meio a discussões sobre um cessar-fogo de 60 dias. O tráfego no Estreito de Ormuz se recuperou para quase metade do nível pré-conflito, devolvendo mais de cinco milhões de barris por dia ao mercado.

O querosene de aviação caiu US$ 28,5 por barril na comparação mensal, para US$ 129,5, enquanto a produção europeia ficou cerca de 32% acima dos níveis pré-conflito. Na comparação anual, o jet fuel estava 45,8% mais alto, o Brent 19,6% mais alto e o crack spread 155,6% maior. A economia de refino permaneceu excepcionalmente apertada, com margens robustas incentivando refinarias a priorizar querosene sobre diesel.

“Para a precificação da carga, a queda mensal marcou a primeira contração após dois aumentos sucessivos e o resultado sequencial mais fraco em cinco meses. Os rendimentos anuais, no entanto, estenderam um quarto mês de ganhos de dois dígitos. A divergência aponta para um alívio a partir de um pico de curto prazo, em vez de um retorno a condições normais de precificação”, concluiu a IATA.