A esposa de Eliabe Bezerril Silva, morto aos 38 anos por um policial militar durante uma briga em um evento em Mombuca (SP), afirmou que a corporação agiu com imprudência e encheu o marido de tiros. O caso ocorreu no fim de um encontro de cavaleiros na Praça Matriz da cidade, neste domingo (19), em frente à Igreja São Pedro.
Versão da viúva
Thais Leandra Bezerril contestou a versão oficial e disse ter vídeos que provam que o marido não estava agredindo pessoas. "Eles mataram meu marido, eles encheram meu marido de tiro, meu marido já estava caído. Não precisava de mais", relata a viúva.
A confusão começou no início da noite, quando Eliabe voltou ao local do evento para buscar um chapéu que havia esquecido, informou a esposa. Ela informou que guardava coisas no carro no momento da ação policial. "Ele voltou a buscar o chapéu e isso começou uma confusão e eu corri lá. Quando eu cheguei, o policial já tinha disparado contra ele, já tinha dado o primeiro [tiro] e ele tinha caído e continuou atirando nele", informa.
Segundo a esposa, a vítima não tinha antecedentes criminais. "Ele era de família, ele não tinha passagem, não tinha nada, ele era trabalhador", diz Thais.
Versão da polícia
A Polícia Militar sustentou que a ação ocorreu para conter uma briga na qual Eliabe teria avançado contra o outro homem com uma faca. Segundo a corporação, o policial atirou em legítima defesa de terceiros diante do risco iminente.
Após os disparos, Eliabe foi socorrido e levado à Santa Casa de Capivari (SP), onde passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos. A faca supostamente utilizada na ação foi apreendida pela perícia, e a ocorrência foi apresentada na Delegacia de Polícia de Piracicaba (SP).
Investigação e posicionamento oficial
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o caso será investigado. A EPTV, afiliada da TV Globo, procurou a prefeitura de Mombuca para entender sobre as autorizações para a realização da festa em espaço público, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
A Polícia Civil e Corregedoria da PM também foram questionadas sobre a abertura de procedimento interno para apurar a conduta do policial e se havia alternativa não letal para a ocorrência, mas não responderam.



