A família de Monique Silvestre Ramos, de 15 anos, morta em um acidente de moto no dia 23 de março em Franca (SP), contesta a versão apresentada à Polícia Civil pelo ex-namorado dela, Miguel Teodoro Nalini, de 19 anos. Um vídeo gravado momentos antes da batida mostra Miguel levando à boca uma garrafa semelhante à bebida comprada em uma loja de conveniência horas antes. A compra já constava na investigação, registrada por câmeras de segurança.
Família pede reclassificação para homicídio doloso
Com o novo vídeo, a irmã de Monique, Marina Kauffman, afirmou que a família espera que Miguel seja investigado por homicídio doloso, quando há intenção de matar ou se assume o risco de causar a morte. Atualmente, o caso é tratado como homicídio culposo na direção de veículo automotor, sem intenção de matar. "Eu queria muito que ele fosse indiciado por homicídio doloso, porque ele assumiu uma responsabilidade de matar", disse Marina.
Miguel prestou depoimento à Polícia Civil na terça-feira (14) acompanhado pelo advogado. Ele negou ter consumido bebida alcoólica antes do acidente e afirmou que a moto apresentou uma falha mecânica momentos antes da perda de controle. A defesa sustentou que a compra da bebida não comprova consumo, que Miguel não estava embriagado e que o acidente foi causado por falha na motocicleta. Procurada sobre o novo vídeo, a defesa não retornou até a última atualização.
Detalhes do acidente
Monique morreu na madrugada de 23 de março, na Avenida Ismael Alonso y Alonso. Ela estava na garupa da moto pilotada por Miguel, que não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH), segundo a polícia. A moto derrapou em uma curva e bateu em uma defensa metálica. A adolescente foi arremessada e morreu no local. Miguel teve ferimentos leves.
A família afirmou que não sabia que Miguel não tinha habilitação. "Não, a gente não sabia, inclusive nem os amigos dele não sabiam. Ele falava para todo mundo que tinha. A gente ficou sabendo que ele não tinha habilitação após o acidente, depois das notícias", disse Marina.
Versão de Miguel
Ao deixar o depoimento, Miguel negou ter bebido antes do acidente. Ele afirmou que comprou a bebida para amigos. "Eu fui para comprar para os meus amigos, mas não ingeri a bebida e só levei para eles, porque eles pediram para eu comprar", disse. Em entrevista anterior, ele atribuiu o acidente a uma falha na motocicleta: "Eu tentei frear, tentei fazer de tudo ali, mas não consegui. Não sei exatamente o que aconteceu com ela [a moto], porque foi tudo muito rápido. Eu não tinha muito o que reagir."
Próximos passos da investigação
A eventual mudança na tipificação do crime depende da Polícia Civil, da análise dos elementos do inquérito e dos laudos periciais. A família pretende procurar o delegado responsável para pedir a reavaliação. A Polícia Civil deve analisar o novo vídeo, os depoimentos, as imagens de câmeras de segurança e os laudos periciais antes de concluir o inquérito. Até a última atualização, não havia informação de indiciamento por homicídio doloso.



