O monômero de estireno, substância que vazou de um tanque da empresa Innova em Manaus na quarta-feira (15), é um produto químico tóxico, segundo a chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes. A especialista também destacou que, em determinadas condições, a água da chuva pode reagir com o gás e formar compostos nocivos que se espalham por grandes distâncias pelo ar.
O que é o monômero de estireno e quais os riscos?
Karime Bentes explicou que o monômero de estireno é utilizado na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido (isopor). A exposição ao produto por inalação pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dores de cabeça, tontura e náuseas. A especialista afirma que o produto é originalmente líquido, mas ao se tornar gás, tende a se espalhar com mais facilidade, podendo chegar a locais distantes do ponto de vazamento. "O estireno é um produto químico que se apresenta na forma líquida, mas que evapora rapidamente. Ao se tornar gás, é mais pesado que o oxigênio, podendo se espalhar por grandes distâncias", disse.
Possibilidade de chuva ácida e contaminação ambiental
Questionada pelo g1 sobre a possibilidade de ocorrência de chuva ácida, Karime Bentes afirmou que o fenômeno depende da concentração de estireno presente na atmosfera. "Dependendo da concentração de estireno no ar, chuva/água em contato com o gás estireno podem reagir e formar compostos nocivos e estireno líquido (produto químico tóxico e perigoso), se espalhando representando um risco de contaminação ao meio ambiente, fauna e flora", disse.
Atendimentos e ações das autoridades
Segundo a Secretaria de Saúde, 149 pessoas procuraram atendimento em unidades da rede estadual de saúde após o registro da ocorrência. "Os principais sintomas apresentados foram falta de ar, náuseas, cefaleia, tontura e desmaio. Todos passaram por avaliação médica e realizaram exames. Do total, 140 receberam alta com orientações médicas e oito permanecem internados. A rede estadual de saúde segue com os protocolos de segurança, vigilância e assistência devidamente ativados", disse a pasta. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) acompanha a execução do Plano de Ação de Emergência (PAE) da empresa e fiscaliza a resposta ao incidente para verificar se as medidas adotadas são suficientes para minimizar possíveis impactos ambientais. O Corpo de Bombeiros reforçou que 80% do material que ainda está sendo expelido do tanque é composto de partículas de água.
Detalhes do vazamento
O vazamento na Innova foi registrado às 17h36 de quarta-feira (15), após o produto armazenado no reservatório apresentar uma elevação anormal de temperatura. Segundo comunicado da empresa, os vapores foram liberados de forma controlada pelos dispositivos de segurança do equipamento. A empresa classifica o episódio como uma "emergência química".



