O Programa Tolerância Zero, que une a Prefeitura do Rio e o Governo do Estado, vai ganhar uma nova fase a partir de 5 de agosto. A ação, que até então concentrava a fiscalização na orla da Zona Sul, passa a cobrir também as ruas de acesso às praias de Copacabana, Ipanema, Leme e Leblon. O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira (3) pelo prefeito Eduardo Cavaliere e pelo secretário estadual de Segurança Pública, Victor Santos.
Conforme a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), as primeiras etapas do projeto resultaram na apreensão de mercadorias e equipamentos ilegais que representam prejuízo superior a R$ 655 mil por mês para os responsáveis pelas atividades irregulares. A expansão foi planejada para combater a exploração ilegal do território e ampliar o ordenamento urbano nas áreas mais movimentadas da cidade.
Novas vias monitoradas
A nova fase passará a abranger todas as vias de acesso à orla. Entre as principais estão:
- Avenida Nossa Senhora de Copacabana;
- Avenida Rainha Elizabeth;
- Rua Prudente de Moraes;
- Avenida General San Martin.
Além dessas, todo o entorno das praias de Copacabana, Ipanema, Leme e Leblon será alvo das equipes, que vão circular por diferentes pontos ao longo do dia. A medida entra em vigor no dia 5 de agosto e, de acordo com a administração municipal, foram incorporados ao esquema 540 agentes de ordem pública, 52 guardas municipais e 843 policiais militares. O contingente atuará em frentes distintas, com turnos escalonados para garantir presença constante nas vias.
Objetivos da nova etapa
Entre as metas da ampliação estão a eliminação de arrastões e de crimes de oportunidade, como furtos e roubos contra pedestres. A proteção ao transporte público, a preservação do patrimônio e a promoção do ordenamento urbano também aparecem entre as prioridades. As equipes deverão atuar em conjunto para evitar que as praias sigam como cenário de atividades ilegais.
Uma das novidades operacionais será a realização de blitzes diárias para fiscalização de motocicletas nos quatro bairros contemplados. Segundo o secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, a medida responde a um padrão identificado nos relatórios de segurança. “Todo mundo sabe que, cada vez mais, esses criminosos vêm utilizando motos nas dinâmicas dos crimes. Isso é claramente observado em nossos relatórios, e vamos trazer essa novidade operacional”, afirmou. As operações serão itinerantes, com horários variados, e também vão mirar motocicletas em situação irregular.
Reação do crime organizado
Durante o anúncio da expansão, as autoridades de segurança citaram episódios recentes de violência que, segundo elas, teriam sido articulados pelo crime organizado. Um dos casos destacados foi o tumulto iniciado no Arpoador em 21 de julho. Outro foi o ataque a um veículo da Seop na Praça Serzedelo Corrêa, em Copacabana, na noite de 23 de julho.
O secretário estadual de Segurança Pública, Victor Santos, afirmou que as reações às ações de segurança e ordenamento serão tratadas dentro dos limites da lei. Ele disse ainda que as forças de segurança continuam em busca dos envolvidos no ataque. “Cinco criminosos praticaram o ato de incendiar uma viatura da prefeitura. Dois já foram presos, os outros continuam foragidos, e o trabalho de investigação prossegue”, declarou.
Segundo o secretário de Polícia Civil, Delmir Gouvêa, três suspeitos foram identificados durante as investigações conduzidas pela 12ª DP (Copacabana). Um deles segue foragido, enquanto os agentes trabalham para identificar outros possíveis envolvidos. “Esses criminosos saíram da comunidade Pavão-Pavãozinho com o objetivo de destruir e incendiar a viatura da prefeitura. As delegacias da Zona Sul estão atentas para diferenciar manifestações legítimas de práticas criminosas. Vamos identificar e prender todos aqueles que estiverem cometendo crimes em toda a orla da Zona Sul”, afirmou.
Victor Santos complementou que os presos confessaram participação no ataque. “Os presos confessaram que foram recrutados para executar essa ação e receberam dinheiro para incendiar a viatura. Ou seja, saíram da comunidade já com essa missão”, disse.
Desarticulação de depósitos ilegais
O secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, destacou que uma das principais funções dos agentes é desarticular a cadeia criminosa que abastece a orla com produtos comercializados irregularmente. “Estamos combatendo depósitos clandestinos. Já mapeamos mais de 22 pontos. Mas há outras camadas dessa estrutura que ainda serão alvo das operações. Existem diferentes organizações criminosas atuando na orla da cidade”, afirmou.
Belchior informou ainda que, desde o início da segunda fase da operação, no fim do mês passado, foram apreendidas 15 toneladas de equipamentos e 55 quilos de alimentos impróprios para consumo. Os números reforçam o caráter estruturado do comércio ilegal na região.
O prefeito Eduardo Cavaliere também destacou a dimensão econômica do problema. Para ele, o comércio ilegal na orla faz parte de uma atividade econômica organizada, que movimenta recursos significativos para organizações criminosas. “Estamos falando de uma atividade econômica ilegal que, em larga escala, gera muita receita para o crime. Não se trata apenas de um vendedor ambulante ou de uma ação isolada. Existe escala, padronização e uma logística de distribuição bem definida”, afirmou.
Primeiros resultados
O Programa Tolerância Zero foi lançado em 16 de julho. No primeiro fim de semana de operação, 153 ambulantes foram abordados ao longo dos oito quilômetros da orla monitorada. A expectativa é que, com a chegada das equipes às ruas do entorno das praias, o alcance da fiscalização aumente e a pressão sobre as práticas ilegais se intensifique em toda a Zona Sul.



