Um terceiro suspeito de envolvimento no sequestro e morte de Euclides Oliveira, de 62 anos, foi preso pela Polícia Civil na terça-feira (14) no bairro Brasil, em Uberlândia. O homem, cujo nome e idade não foram divulgados, é apontado como o motorista do veículo utilizado no crime, ocorrido em 8 de junho. A informação foi confirmada pela Polícia Civil.
Detalhes da prisão e investigação
De acordo com o delegado Carlos Fernandes, o carro usado no sequestro foi encontrado na casa de um dos suspeitos. Inicialmente detido, esse indivíduo foi solto em 23 de junho após as investigações indicarem que ele não participou do sequestro nem do homicídio. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) confirmou a libertação.
Euclides Oliveira estava desaparecido desde 8 de junho. Seu corpo foi encontrado em 16 de junho dentro de uma carcaça de geladeira no bairro Nossa Senhora das Graças. A vítima foi sequestrada na porta de casa, no bairro Tibery. A polícia informou que o corpo estava concretado e apresentava sinais de carbonização.
Motivação do crime
Segundo a Polícia Civil, Euclides foi morto por integrantes de uma facção criminosa. As investigações apontam que ele foi submetido a um "tribunal do crime" e executado por vingança, após ser acusado por familiares de uma criança de 9 anos de cometer abuso sexual. "O senhor Euclides participava de aulas em escolinhas de futebol e familiares o acusaram de ter molestado uma criança de nove anos. Criança essa que é irmã de um dos investigados contra o qual há mandado de prisão. Esse indivíduo, que é pertencente a uma facção criminosa, resolveu fazer o chamado tribunal do crime e com o apoio de mais membros dessa organização criminosa, sequestraram o senhor Euclides no Tibery e o levaram para um galpão no Jardim Europa", detalhou o delegado Carlos Fernandes.
A polícia esclareceu que não há boletim de ocorrência, denúncia formal ou provas que sustentem a acusação de violência sexual contra Euclides. Um dos suspeitos, irmão da suposta vítima e integrante de facção criminosa, teria organizado o sequestro com ajuda de outros envolvidos. "O que a Polícia Civil, o Estado de Minas Gerais não admite de maneira alguma é a justiça paralela. Tanto é que a gente está aqui para apurar um crime e responsabilizar as pessoas", completou o delegado.
Operação Veritas Lex
Na segunda-feira (15), a Delegacia de Homicídios realizou a Operação "Veritas Lex", cumprindo mandados de prisão e de busca e apreensão. Dois suspeitos permanecem presos. Outras duas pessoas foram detidas em flagrante por tráfico de drogas após apreensão de entorpecentes em um dos endereços alvo. A polícia informou que os investigados já eram alvo de inquéritos por outros homicídios e têm ligação com o tráfico de drogas. Nenhum deles confessou participação no crime. Os nomes dos presos não foram divulgados.
Reconstituição do crime
As investigações permitiram reconstituir o trajeto dos suspeitos desde o sequestro até um galpão no bairro Jardim Europa. Lá, Euclides foi submetido ao "tribunal do crime". A suspeita de que o corpo foi concretado surgiu após a polícia identificar que integrantes do grupo compraram cimento e areia depois de chegarem ao galpão. No dia 15, equipes do Corpo de Bombeiros realizaram buscas e escavações no local, com apoio de cães farejadores, mas nada foi encontrado. As buscas foram retomadas no dia seguinte, quando o cadáver foi localizado em um lote nas proximidades do Parque Municipal Victório Siquieroli.
Segundo o delegado, investigadores analisaram imagens de câmeras de segurança e identificaram suspeitos transportando uma geladeira em uma carretinha nas proximidades do galpão. Com o rastreamento, os policiais localizaram o lote onde o cadáver estava escondido. "A vítima foi torturada, morta, e aí eles conseguiram uma casca de uma geladeira, colocaram o corpo da vítima lá dentro e foram até uma loja de material de construção onde compraram areia e cimento. Usaram inclusive um catalisador para secagem rápida desse material e deixaram ali [no lote]. Possivelmente, ele tenha sido morto até as 14 horas do dia 8", esclareceu.
O homem estava com as mãos amarradas por abraçadeiras plásticas, reforçando indícios de tortura. O corpo estava em avançado estado de decomposição. Havia sinais de que os suspeitos tentaram incendiar o local, colocando entulhos sobre o cadáver antes de atearem fogo. A identificação oficial da vítima ainda depende de exame de DNA, mas o delegado afirmou não ter dúvidas de que o corpo é de Euclides.



