A técnica de enfermagem suspeita de tentar sequestrar uma recém-nascida na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, foi presa. A informação foi confirmada pelo delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko, nesta quarta-feira (8). O caso ocorreu na tarde da segunda-feira (6) e é investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).
Bebê encontrada dentro de bolsa
À Rede Clube, a tia da recém-nascida, Daniela Beatriz, contou que encontrou a sobrinha dentro da bolsa da suspeita, com o zíper semiaberto. Em vídeos, ela relatou que estava acompanhando a irmã após o parto e que foi abordada por uma mulher vestida como as outras enfermeiras da maternidade. A mulher teria se oferecido para facilitar a realização dos testes da orelhinha e do pezinho, essenciais para que a bebê recebesse alta médica. Daniela disse ter sido orientada a ir para uma sala em outro andar para a realização dos testes. Segundo ela, a mãe da recém-nascida permaneceu no quarto para se recuperar do parto.
"Fomos para o terceiro andar. Descemos para o segundo andar e aí chegamos perto de uma sala e ela disse: 'Olha, eu vou entrar aqui, mas você tem que ficar aí fora, pois não podem te ver aqui. Sente ali no banquinho que eu já venho com ela'. Ela já estava com essa bolsa grande de lado e preta. Eu dei a neném pra ela, mas já sentindo uma coisa ruim", completou a mulher. Ainda segundo a tia, a mulher teria saído da sala com uma bolsa grande, aparentemente sem a criança, e seguido em direção ao banheiro. No local, a tia disse ter a abordado e flagrado a bebê na bolsa. "Quando vi ela já estava saindo com a bolsa na frente, com uma roupa completamente diferente, cabelo solto e óculos, mas já dava pra perceber que ela estava com cuidado. Eu puxei a bolsa e vi a neném, bem quietinha", disse Daniela.
Maternidade afastou suspeita e colabora com investigação
Em nota, a Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa informou que registrou Boletim de Ocorrência ainda na segunda e ressaltou que está colaborando com as autoridades policiais, fornecendo informações e imagens de câmeras de segurança. A instituição esclareceu que a mãe, o bebê e a acompanhante receberam todo o suporte da gestão da unidade, além de acolhimento e assistência pela equipe médica e acompanhamento multiprofissional através das equipes do Serviço Social e da Psicologia. Como medida administrativa, a profissional supostamente envolvida foi afastada de suas funções até a conclusão das investigações, cujos resultados subsidiarão a adoção das medidas administrativas e legais cabíveis.
Daniela afirmou também que pediu o acionamento da polícia após perceber a situação, mas que, segundo ela, apenas os seguranças da maternidade atuaram naquele momento. "Perguntei onde elas estavam, porquê disse que queria que chamassem a polícia, e isso foi negado. O que fizeram foi chamar uma psicóloga pra falar com elas e deixaram a gente em casa depois", disse a mulher.
Coren-PI acompanha o caso
O Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) informou que acompanha as informações divulgadas sobre a suposta participação de uma profissional de enfermagem no caso. O órgão afirmou que adotará as medidas cabíveis para apurar a situação e que possíveis condutas incompatíveis com o exercício da enfermagem serão analisadas dentro das competências legais. "Diante da gravidade da situação relatada, o Coren-PI adotará as medidas cabíveis para apurar, com toda a seriedade, imparcialidade e observância ao devido processo legal", diz a nota.



