A técnica de enfermagem presa após tentar retirar uma recém-nascida da Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, já havia sido indiciada pela Polícia Civil do Piauí por suspeita de estelionato em março de 2026. O procedimento foi conduzido pela 8ª Delegacia Seccional de Teresina e apurou denúncia de compras realizadas pela internet sem autorização da vítima.
Investigação anterior por estelionato
Segundo a investigação, Auricélia de Sousa Rocha teria utilizado indevidamente um cartão de crédito de um familiar para efetuar compras em uma plataforma de comércio eletrônico. A vítima procurou a delegacia após identificar diversas transações não reconhecidas na fatura do cartão e afirmou aos investigadores que não costumava realizar compras pela internet com aquele cartão.
Durante a apuração, a Polícia Civil analisou documentos relacionados às compras e identificou encomendas vinculadas ao nome da investigada, com destino ao endereço da vítima. Em depoimento, a investigada negou ter cometido o crime e afirmou que havia utilizado o cartão do familiar apenas em uma ocasião, com autorização, para uma compra específica. Ela também declarou que costumava realizar compras pela internet utilizando outros meios de pagamento.
Indiciamento formalizado
Após analisar os elementos reunidos, a autoridade policial concluiu pela existência de indícios de autoria e materialidade e formalizou o indiciamento pelo crime de estelionato. O caso ainda não foi julgado.
Tentativa de sequestro na maternidade
À Rede Clube, a tia da recém-nascida, Daniela Beatriz, contou que encontrou a sobrinha dentro da bolsa da suspeita, com o zíper semiaberto. Em vídeos, ela relatou que estava acompanhando a irmã após o parto e que foi abordada por uma mulher vestida como as outras enfermeiras da maternidade. A mulher teria se oferecido para facilitar a realização dos testes da orelhinha e do pezinho, essenciais para que a bebê recebesse alta médica.
Daniela contou ter sido orientada a ir para uma sala em outro andar para a realização dos testes. Segundo ela, a mãe da recém-nascida permaneceu no quarto para se recuperar do parto. "Ela disse: 'Olha, eu vou entrar aqui, mas você tem que ficar aí fora, pois não podem te ver aqui. Sente ali no banquinho que eu já venho com ela'. Ela já estava com essa bolsa grande de lado e preta. Eu dei a neném pra ela, mas já sentindo uma coisa ruim", completou a mulher.
Ainda segundo a tia, a mulher teria saído da sala com uma bolsa grande, aparentemente sem a criança, e seguido em direção ao banheiro. No local, a tia disse ter a abordado e flagrado a bebê na bolsa. "Quando vi ela já estava saindo com a bolsa na frente, com uma roupa completamente diferente, cabelo solto e óculos, mas já dava pra perceber que ela estava com cuidado. Eu puxei a bolsa e vi a neném, bem quietinha", disse Daniela.
Daniela afirmou também que pediu o acionamento da polícia após perceber a situação, mas que, segundo ela, apenas os seguranças da maternidade atuaram naquele momento.
Quarto preparado para bebê
Na casa da técnica de enfermagem, a polícia encontrou um quarto montado para receber um bebê. Segundo o delegado Hugo Alcântara, havia fraldas, roupas, banheira e berço. Os investigadores também afirmam que parentes acreditavam que Auricélia estava grávida, embora ela não tivesse apresentado exames que comprovassem a gestação.
Em depoimento, a técnica de enfermagem preferiu permanecer em silêncio. Em nota, a defesa informou que Auricélia foi diagnosticada com sintomas esquizofrênicos, fazia uso de medicamentos psiquiátricos e apresenta comprometimento para compreender a gravidade dos fatos investigados. O delegado responsável pelo caso afirmou que, apesar das alegações da defesa, a investigação não trabalha com a hipótese de insanidade mental capaz de afastar a responsabilidade pelos atos. Para a polícia, Auricélia agiu sozinha.



