Prisão Preventiva em Balneário Camboriú
O tatuador, corretor de imóveis e músico Vinicius Roig, de 47 anos, morador de Torres, no Rio Grande do Sul, foi preso preventivamente na quinta-feira (30) em Balneário Camboriú, litoral norte de Santa Catarina, por suspeita de estupro. A prisão foi realizada pela Polícia Civil gaúcha, que apura uma série de denúncias de violência contra mulheres.
A investigação ganhou força após um relato de violência doméstica feito pela professora Michele Duarte, também de Torres. Após romper o relacionamento, Michele publicou em redes sociais o que teria vivido, recebendo apoio da irmã do ex-companheiro, Juliana Roig. A publicação rapidamente desencadeou uma mobilização de outras mulheres, que passaram a compartilhar experiências semelhantes.
Denúncias do Ministério Público
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) já havia denunciado Vinicius Roig três vezes por crimes contra a mulher, em Torres e Sapucaia do Sul. A primeira denúncia foi oferecida em 1º de setembro de 2024; a segunda, em 1º de abril de 2025; e a terceira, em 9 de junho de 2025. As ações aguardam análise do Judiciário.
De acordo com a primeira denúncia, em 3 de julho de 2025, o investigado compareceu ao prédio onde a vítima residia, em Torres, fez ameaças e arremessou pedras, quebrando vidraças. Ele teria dito que mataria a vítima e qualquer homem que encontrasse com ela. A segunda denúncia trata de violência psicológica, com sucessivos episódios de humilhação. A terceira inclui descumprimento de medidas protetivas, perseguição (stalking) e novo episódio de violência psicológica.
O promotor de Justiça Márcio Roberto Silva de Carvalho destacou: “A repercussão pública ocorreu agora em razão das manifestações e denúncias divulgadas nas redes sociais. Contudo, é importante destacar que o Ministério Público já vinha atuando no caso desde o momento em que tomou conhecimento dos fatos.”
Relatos de Vítimas e Mobilização
Michele Duarte descreveu o início do relacionamento como promissor: “Ele abria a porta do carro, que nunca ninguém abriu pra mim, era gentil, educadíssimo. De uma elegância que você dizia assim: é o príncipe dos meus sonhos.” No entanto, rapidamente a relação se transformou em violência. “Ele destruiu meu rosto. […] Eu olhei meu corpo cheio de marca, de hematomas. Todo doído, todo”, relatou.
Após o término, Michele criou uma página no Instagram chamada “Verdade Seja Dita”, que passou a reunir dezenas de relatos de mulheres que afirmam ter se relacionado com o mesmo homem. Juliana Roig, irmã de Vinicius, apoiou a iniciativa: “A gente nunca imaginou que as coisas fossem tomar essa proporção, porque começaram a surgir dezenas de mulheres com relatos brutais, muito impactantes.”
Em Porto Alegre, o Ministério Público acolheu as vítimas por meio do Espaço Bem-Me-Quer. Carla Frós, coordenadora da Central de Atendimento às Vítimas do MPRS, afirmou que algumas mulheres relataram episódios ocorridos há décadas, decidindo denunciar após a mobilização: “Nós temos vítimas que, a partir dessa primeira denúncia, a partir da criação dessa página, conseguiram então denunciar e fazer a ocorrência.”
Investigação e Contestação
A Polícia Civil registrou 19 ocorrências nos últimos dois anos em que Vinicius aparece como suspeito, em cidades como Torres, Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul e Cachoeirinha. O delegado Marcos Veloso, responsável pela investigação de suspeita de estupro contra a última ex-companheira, afirma: “A gente precisa acolher essas vítimas da melhor maneira possível pra que elas relembrem essas histórias muito pesadas para elas, mas que a gente precisa fazer algumas perguntas para fazer a devida instauração dos inquéritos policiais.”
O Ministério Público levantou mais de 20 vítimas até o momento, considerando tanto os relatos da página quanto registros anteriores. Vinicius Roig, por sua vez, publicou um texto nas redes sociais reconhecendo que “existem acontecimentos que precisam ser enfrentados com seriedade”, mas afirmou que muitas informações “não correspondem à realidade, apresentam distorções ou foram retiradas de contexto”. Ele também registrou ocorrência contra as mulheres por calúnia e tentou retirar a página do ar judicialmente, pedido negado pela Justiça. A juíza afirmou na decisão que as manifestações “não foram produzidas no vácuo” e que há “substrato fático concreto”.
Michele, que possui medida protetiva contra Vinicius, espera que os relatos tenham consequência: “Não imaginava parar nas redes. Mas, já que parou, quero justiça. Quero que a Justiça cumpra o papel dela.” Juliana Roig reforça: “A gente não pensa em vingança. A gente pensa em justiça. Porque isso tem que ser parado.” As investigações continuam, e o Ministério Público acompanha os novos relatos.



