São Paulo voltou a registrar uma sequência trágica de atropelamentos entre domingo (2) e segunda-feira (3), com pelo menos cinco mortes em menos de 24 horas. Entre as vítimas, um casal que foi atingido por um motorista embriagado enquanto voltava do trabalho a pé, pela calçada de um viaduto.
O caso do casal no viaduto
O eletricista Nilson Leite Batista, de 56 anos, e a esposa Maria Gorete Saraiva, de 58 anos, caminhavam por um viaduto quando foram surpreendidos pelo veículo. As imagens mostram o casal desaparecendo da visão das câmeras e, instantes depois, o impacto arremessou Nilson para o meio da rua. Maria Gorete foi lançada por cima da grade de proteção, caindo de uma altura de 6 metros. Ela morreu na hora; Nilson chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
O vizinho das vítimas, Haroldo Cezário Souza, lamentou a perda: “Uma excelente pessoa, não mexe com a vida de ninguém, trabalhador, os dois”.
Motorista preso e indiciado
O condutor, Giuliano Franco Fontes, de 24 anos, foi preso em flagrante. Ele já estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa por excesso de pontos. Policiais relataram que ele apresentava fala embolada e cheiro de álcool. Giuliano recusou-se a fazer o teste do bafômetro, mas o exame clínico confirmou a embriaguez. Ele foi indiciado por duplo homicídio.
Outros atropelamentos recentes
Nas últimas semanas, São Paulo registrou pelo menos outros três atropelamentos envolvendo motoristas bêbados, todos com o mesmo padrão: vítimas e condutores diferentes, mas com a combinação de álcool e direção.
- No dia 20 de julho, Paulo César Ribeiro atropelou e matou Raelly Oliveira, fugindo sem prestar socorro. Ele estava bêbado e sem carteira de habilitação.
- Três dias depois, Bruno Shimizu, de 22 anos, dirigia embriagado e atropelou na contramão o sargento Fábio Ferreira de Souza, que estava de moto. Aos 17 anos, Bruno já havia provocado a morte de outro motociclista.
- Na semana passada, Guofang Huang atropelou e matou o gari Diego Rafael. Huang estava bêbado e foi denunciado por homicídio duplamente qualificado.
Números que assustam
Além dos casos com álcool, outros três acidentes fatais ocorreram somente na segunda-feira (3) na Grande São Paulo, incluindo a morte de uma adolescente de 15 anos. As mortes de pedestres no estado permanecem no mesmo patamar desde 2016, com cerca de 1,3 mil por ano, tendo caído apenas durante a pandemia. Desde 2020, o país registra aproximadamente 3 mil mortes por atropelamento anualmente.
Especialista critica legislação
O advogado Maurício Januzzi, especialista em crimes de trânsito, afirma que a legislação brasileira não pune com rigor quem bebe, dirige e mata: “Tanto é que, muitos casos que vêm acontecendo, essas pessoas já tiveram, de antemão, passagens por acidentes e continuam tendo essas passagens por acidente. E, dentro desse sentido, se verifica que a legislação, por si só, não teve a sua intenção, que era punir e falar para o meio social que aquilo dá cadeia. Não, não dá cadeia. Então, a pessoa simplesmente ignora e continua bebendo e dirigindo”.
Os números e os casos recentes reforçam a necessidade de medidas mais eficazes para coibir a combinação de álcool e direção, que segue causando tragédias nas vias paulistas.



