Síndico diz que relação de capitã morta e sargento era 'bomba-relógio'
Síndico: relação de capitã morta e sargento era 'bomba-relógio'

Síndico compara relação a 'bomba-relógio'

O síndico do prédio onde moravam a capitã da Polícia Militar de Minas Gerais, Michele Leão Azevedo, e o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira afirmou que o relacionamento do casal era uma "bomba-relógio". Em entrevista, ele disse que as brigas eram frequentes e que os vizinhos viviam com medo de que algo grave acontecesse. "Era questão de tempo para explodir", declarou o síndico, que preferiu não se identificar.

Brigas constantes e medo entre vizinhos

Vizinhos do prédio localizado no bairro São Pedro, em Belo Horizonte, relataram que ouviam discussões e gritos vindos do apartamento do casal quase todas as noites. Uma moradora, que pediu anonimato, disse: "A gente já esperava que um dia fosse acabar em tragédia. Eles brigavam muito, e ele era muito agressivo." As câmeras de segurança do edifício flagraram o sargento Eduardo Abner carregando Michele desacordada até o carro na noite da última segunda-feira (20).

Capitã morre após dar entrada no hospital

Michele Leão Azevedo, de 34 anos, foi levada pelo companheiro ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, já sem sinais vitais. Ela apresentava múltiplos hematomas e sinais de agressão. A equipe médica ainda tentou reanimá-la, mas a capitã não resistiu. A causa da morte será determinada pelo laudo do Instituto Médico Legal (IML).

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Mãe confirma relacionamento abusivo

A mãe de Michele, dona Maria Aparecida Leão, afirmou em entrevista que a filha vivia um relacionamento abusivo há anos. "Ela tinha medo de denunciar, dizia que ele ia se vingar. Agora, infelizmente, aconteceu o que eu mais temia", disse a mãe, visivelmente abalada. A família de Michele informou que ela já havia registrado queixas contra o sargento, mas as medidas protetivas não foram suficientes.

Polícia Civil investiga o caso

O sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira foi preso em flagrante pela Polícia Militar ainda no hospital. Ele foi encaminhado ao sistema prisional e aguarda audiência de custódia. A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou inquérito para investigar as circunstâncias da morte. O delegado responsável, Dr. Carlos Mendes, afirmou que todas as testemunhas serão ouvidas e as imagens das câmeras analisadas. "Vamos apurar se houve feminicídio ou lesão corporal seguida de morte", declarou.

Violência doméstica: um problema recorrente

O caso reacende o debate sobre a violência doméstica contra mulheres no Brasil, especialmente entre casais em que ambos são policiais. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2025, foram registrados mais de 1.400 feminicídios no país, muitos deles cometidos por parceiros ou ex-parceiros. A delegada da Mulher de Belo Horizonte, Dra. Fernanda Costa, ressaltou a importância de denunciar: "Muitas mulheres sofrem em silêncio. É fundamental quebrar esse ciclo e buscar ajuda."

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