Grupo que sequestrou passageira em Fortaleza planejava novas vítimas
Sequestro em Fortaleza: grupo planejava novas vítimas

O motorista Matheus Bandeira Fontoura, um dos presos por sequestrar e extorquir uma passageira durante uma corrida por aplicativo em Fortaleza, planejava novas vítimas. O comparsa do condutor, identificado como Cláudio Natan Barros da Silva, disse em depoimento que Matheus sugeriu os nomes de um empresário, uma médica e uma enfermeira para novos crimes na capital cearense.

Alvos planejados

De acordo com o depoimento de Natan, também conhecido como “Sorriso”, Matheus sugeriu sequestrar a ex-mulher dele por ser médica e "ganhar bem", e um proprietário de um bar na Cidade 2000. O suspeito disse que Matheus estaria adquirindo esse estabelecimento e teria o plano de realizar o sequestro do antigo dono após efetuar o pagamento pelo bar. Além desses dois alvos, Matheus queria raptar e extorquir uma amiga enfermeira. A mulher trabalha na Maternidade Escola Assis Chateaubriand, e o motorista de aplicativo teria dito que ela também recebia um bom salário e seria um "bom alvo" para um sequestro.

Defesa de Matheus

Matheus não respondeu diretamente sobre as acusações de Natan. No entanto, ele declarou que aceitou participar apenas por "receio de sofrer represálias" e que agiu sob "imposição de Natan", alegando que o comparsa o ameaçou dizendo que "saberia onde ele morava" caso recusasse. O g1 entrou em contato com os advogados de Matheus Bandeira. Em nota, a defesa disse que "sustenta a absoluta inocência de Matheus Bandeira Fontoura e esclarece que os elementos que demonstram sua ausência de participação criminosa, bem como as circunstâncias que indicam ter ele próprio sido vítima da atuação dos demais envolvidos, serão oportunamente apresentados e produzidos perante o Poder Judiciário, no momento processual adequado".

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"É importante destacar que Matheus possui 30 anos de idade, é primário, possui bons antecedentes, jamais respondeu a qualquer processo criminal, sempre exerceu atividade lícita e construiu, ao longo de sua vida, uma trajetória pautada pelo trabalho, pelo respeito às leis e por conduta pessoal ilibada", diz a defesa de Matheus. As defesas dos outros presos não foram localizadas para comentar a prisão.

Depoimentos dos envolvidos

Matheus se descreveu como alguém que apenas seguiu ordens, utilizando seu carro para a corrida de aplicativo e permanecendo no veículo enquanto os outros realizavam as movimentações financeiras na casa de Natan. Ele justificou não ter procurado a polícia após o crime por ter medo de Natan, ressaltando que moravam próximos um do outro.

Já em depoimento, Cláudio Natan confirmou a participação no crime e disse que, juntamente com outro comparsa, embarcou no veículo Toyota Corolla Cross após Matheus já ter pego a vítima pelo aplicativo Uber, possibilitando o anúncio do assalto. A intimidação da vítima também foi feita por Sorriso, que confessou ter utilizado um simulacro de arma de fogo para exercer grave ameaça e intimidar a vítima durante a ação. Ele participou ativamente da manutenção da vítima em cárcere privado e tentou realizar transferências e empréstimos bancários através do celular da estilista.

Sorriso declarou que o produto do crime seria dividido entre os participantes e orientou a transferência de parte do dinheiro para a conta de Rayane, mãe de seu filho, para saque posterior, que a mulher sabia da origem ilícita.

Rayane da Silva Queiroz, quem recebeu parte do dinheiro extorquido, negou veementemente qualquer participação no sequestro, roubo ou extorsão. Ela afirmou que só teve conhecimento da origem ilícita dos valores após o ocorrido. A mulher relatou que Cláudio Natan, pai de seu filho mais novo, informou que faria uma transferência via PIX para sua conta, mas não explicou a origem do dinheiro. Posteriormente, ela recebeu R$ 1.500 do motorista Matheus Bandeira Fontoura.

Otavio Joas Martins de Castro negou participação no sequestro. Ele disse que só soube do crime no dia da prisão. Segundo Otavio, ele foi buscar R$ 1.000 a pedido de Natan. Atual namorada de Natan, Ana Karolina da Silva Horta, segundo a manifestação do Ministério Público e o depoimento do corréu Matheus Bandeira Fontoura, teria prestado auxílio direto na realização das movimentações bancárias da vítima enquanto esta era mantida em cárcere privado na residência de Natan.

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Prisões e medidas cautelares

Quatro suspeitos de sequestrar uma passageira de carro de aplicativo em Fortaleza tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Já Rayane da Silva Queiroz foi a única liberada após audiência de custódia realizada no último sábado (11). O crime aconteceu no bairro Meireles, na capital, na quinta-feira (9). A vítima foi sequestrada após sair de uma casa de shows e entrar em um carro de aplicativo. Ela também foi mantida em cárcere privado e roubada pelos suspeitos, apontou o processo judicial ao qual o g1 teve acesso.

Permanecem presos: Matheus Bandeira Fontoura; Claudio Natan Barbosa da Silva; Otavio Joas Martins de Castro; Ana Karolina da Silva Horta. Rayane foi colocada em liberdade com as seguintes medidas cautelares: obrigatoriedade de comparecer a todos os atos processuais para os quais for intimada; obrigatoriedade de comunicar qualquer mudança de endereço em 24h; não se ausentar da comarca de Fortaleza sem prévia autorização da Justiça.

O juiz da audiência de custódia explicou que "não há, até o presente momento, qualquer elemento concreto indicando que Rayane tenha participado diretamente da abordagem da vítima, de sua privação de liberdade ou dos atos de violência e grave ameaça empregados na execução do delito". "Sua atuação, em tese, restringe-se ao recebimento, saque e posterior entrega de parte dos valores obtidos com a prática criminosa, circunstância que, isoladamente considerada e à luz dos elementos atualmente disponíveis, não evidencia a necessidade da imposição da medida extrema de segregação cautelar, sem prejuízo de ulterior reavaliação caso sobrevenham novos elementos probatórios", justificou o magistrado.

Detalhes do crime

O motorista do veículo e outras quatro pessoas foram presas em flagrante pela Polícia Civil poucas horas após o crime. A quadrilha realizou empréstimos e transferências via Pix utilizando o celular da vítima enquanto a mantinha sob vigilância e ameaças de morte em um cativeiro. O crime aconteceu por volta das 23h50 da quinta-feira (9). A vítima solicitou uma corrida pela plataforma Uber após sair de um estabelecimento na Avenida Desembargador Moreira. Ela embarcou em um automóvel conduzido por Matheus Bandeira Fontoura.

De acordo com a investigação policial, logo após o embarque, o motorista "alterou deliberadamente o percurso da viagem". Ele reduziu a velocidade do carro em um local combinado com comparsas. Nesse momento, dois criminosos entraram no carro. Matheus estava cadastrado como motorista regular da plataforma Uber. Em nota, a empresa disse que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, na forma da lei. "O motorista teve a conta desativada da plataforma. Todas as viagens na Uber são cobertas por um seguro e, em parceria com o MeToo Brasil, a plataforma conta com um canal de suporte psicológico, que foi disponibilizado à vítima".

Armados com uma suposta arma de fogo, os assaltantes assumiram o controle do veículo, encapuzaram a passageira e exigiram acesso ao celular e às contas bancárias dela. Na sequência, a mulher foi levada para um imóvel utilizado como cativeiro, onde passou a sofrer ameaças de morte. Enquanto a vítima estava rendida, os criminosos realizaram diversas movimentações financeiras. O grupo fez transferências eletrônicas, contratou empréstimos bancários e utilizou os cartões da passageira.

Conforme a Secretaria da Segurança Pública, o grupo foi conduzido para delegacia, onde foi autuado pelos crimes de roubo com restrição de liberdade, extorsão qualificada e associação criminosa. Um homem de 21 anos também foi autuado por tráfico de drogas. Na casa, um outro homem, de 27 anos, foi localizado em posse de entorpecentes e também foi autuado por tráfico de drogas. Por último, a quinta suspeita, de 25 anos, foi localizada e autuada por lavagem de dinheiro por ter fornecido a própria conta bancária para receber uma parte dos valores subtraídos após a ação criminosa.