O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quarta-feira, revela que os roubos e furtos de celulares no Brasil caíram 7,7% entre 2024 e 2025. No entanto, Rio de Janeiro e Paraíba se destacam como exceções, registrando aumentos de 22,7% e 21,1%, respectivamente.
Queda nacional e exceções regionais
De acordo com o levantamento, o país registrou cerca de 1,8 milhão de ocorrências de subtração de celulares em 2025, contra 1,95 milhão no ano anterior. A redução é atribuída a medidas como o programa Celular Seguro e o aumento do policiamento em áreas críticas. Contudo, enquanto a maioria dos estados apresentou queda, Rio de Janeiro e Paraíba contrariaram a tendência.
No Rio de Janeiro, os casos passaram de 280 mil para 343 mil, um salto de 22,7%. Já na Paraíba, o aumento foi de 21,1%, com 45 mil ocorrências em 2025 contra 37 mil em 2024. Especialistas apontam que a falta de integração entre as forças de segurança e a atuação de quadrilhas especializadas podem explicar os números.
São Paulo concentra 20% dos casos
São Paulo continua sendo o estado com o maior número absoluto de roubos e furtos de celulares, concentrando 20% de todos os casos do país. Em 2025, foram 360 mil ocorrências, uma leve queda de 2,5% em relação a 2024. A capital paulista responde por mais da metade dos registros estaduais.
Segundo o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, "a redução, embora modesta, é resultado de ações integradas como a Operação Big Mobile, que já apreendeu milhares de aparelhos roubados". Ele destaca que a receptação continua sendo um desafio, com aumento de 12% nos registros desse crime.
Fatores para a queda e desafios
O programa Celular Seguro, que permite o bloqueio remoto de aparelhos, foi citado como um dos principais fatores para a queda nacional. Em 2025, mais de 2 milhões de dispositivos foram cadastrados no sistema. Além disso, o aumento do efetivo policial em áreas de grande circulação, como transporte público e centros comerciais, contribuiu para a redução.
No entanto, a subnotificação ainda é um problema. Estima-se que apenas 60% dos roubos e furtos sejam registrados oficialmente. O presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, alerta: "os números reais podem ser até 40% maiores do que os divulgados". Ele também destaca o crescimento da receptação, que muitas vezes alimenta o mercado ilegal.
Impacto social e econômico
O roubo de celulares não causa apenas prejuízo financeiro, mas também expõe dados pessoais e bancários dos usuários. Em 2025, foram registrados mais de 500 mil casos de clonagem de chips e acesso indevido a aplicativos financeiros após subtração de aparelhos. As seguradoras estimam que o prejuízo total com roubos de celulares ultrapassou R$ 5 bilhões no ano.
Diante do cenário, especialistas defendem a ampliação do programa Celular Seguro e a criação de uma base nacional única de IMEIs para dificultar a revenda de aparelhos roubados. A expectativa é que, com a integração entre estados, os índices continuem caindo em 2026.



