Dois suspeitos de envolvimento no atentado contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos, irmão da vítima de sequestro Eloá Pimentel, foram mortos em uma suposta troca de tiros com policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) na noite de sexta-feira (10), na Zona Leste de São Paulo. Com as mortes, subiu para seis o número de homens mortos pela tropa de elite da Polícia Militar desde o início das investigações sobre o ataque, ocorrido em 27 de junho.
Versão da PM sobre a operação
Segundo a versão apresentada pela PM, os agentes foram recebidos a tiros e revidaram. Nenhum policial ficou ferido na ação. A equipe foi até a Rua Touro, na região de São Mateus, após uma denúncia anônima de que ali estaria escondido Márcio dos Santos Ferreira, de 45 anos, conhecido como "Tetão", apontado como suspeito de participação no atentado. Ainda de acordo com a corporação, os policiais foram recebidos por Carlos Roberto Ferreira, de 52 anos, que confessou dar abrigo a Márcio. Ao entrar no imóvel, houve troca de tiros. Márcio e Carlos foram baleados e morreram.
Investigação e recompensa
O caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial e será investigado pelo DHPP. Os dois homens mortos tinham relação com o ataque ao tenente, segundo a polícia. Três suspeitos de envolvimento com o ataque também já foram presos. A última prisão ocorreu em Heliópolis, na noite de terça-feira (7). A Secretaria da Segurança Pública (SSP) oferece uma recompensa de R$ 50 mil por informações que levem à localização de Hércules da Costa Siqueira, apontado como o autor dos disparos.
Outras mortes em confrontos
A primeira morte ocorreu na madrugada de 29 de junho. Uma equipe do 1º Batalhão de Polícia de Choque da Rota recebeu denúncia de que um homem que teria participado do atentado estava nas proximidades da Estrada do Aricanduva, no bairro José Bonifácio, na Zona Leste. Segundo a PM, o suspeito estava armado e houve confronto durante a abordagem. O homem foi baleado e morreu no local. Em nota assinada pelo major PM Veiga, a Rota afirmou que a denúncia não chegou a ser averiguada por conta do confronto e da morte do suspeito.
Na manhã de quarta-feira (1º), outra denúncia levou equipes da PM até a região de Guaianases, também na Zona Leste. De acordo com a corporação, houve confronto, e o suspeito foi baleado. Ele chegou a ser encaminhado para um hospital, mas não resistiu. A SSP informou que "não atribui ao homem morto nesta quarta-feira (1º) a condição de suspeito da tentativa de homicídio contra o Tenente Pimentel". O caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial e segue sob investigação.
A terceira morte foi registrada em Peruíbe, no litoral paulista, na noite de quinta-feira (2). Elenilson Misael da Silva, conhecido como "Galego" e apontado como integrante de organização criminosa, morreu durante confronto com policiais da Rota. Segundo a investigação, ele é suspeito de participação no atentado contra o tenente.
A quarta morte ocorreu na madrugada de quinta-feira (9), quando equipes da Rota tentaram abordar dois suspeitos na região de Heliópolis, na Zona Sul. Segundo a PM, houve reação e troca de tiros. Os dois homens foram baleados e socorridos, mas não resistiram. A corporação informou que apenas um deles tinha relação com o ataque ao tenente: Marcelo de Jesus Dias, de 37 anos, apontado como piloto da motocicleta usada no atentado e procurado por roubo, furto, corrupção de menores e tráfico de drogas.
Estado de saúde do tenente
O tenente Ronickson Pimentel dos Santos passou por uma traqueostomia na quinta-feira (9), no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, na Grande São Paulo. Segundo o último boletim do 1º Batalhão de Polícia de Choque, o procedimento foi realizado sem intercorrências e sem sangramentos. Após a cirurgia, o oficial retornou ao leito da UTI, onde permanece internado em estado grave, estável e sob cuidados intensivos. Os parâmetros neurológicos seguem favoráveis, a pressão intracraniana permanece estável em níveis baixos e o dispositivo de drenagem continua funcionando normalmente. Ele está sem febre, com função renal estável, em tratamento com antibióticos e recebendo dieta enteral por sonda. A gastrostomia, procedimento complementar para suporte nutricional, foi reprogramada para a próxima semana.



