Rede Pneu Z: mais de 20 denúncias em Mogi das Cruzes e vítima chinesa
Rede Pneu Z: mais de 20 denúncias e vítima chinesa

A Polícia Civil de Mogi das Cruzes aprofundou as investigações contra a rede de auto centers Pneu Z, suspeita de aplicar golpes financeiros em consumidores de diversos estados. Uma nova vítima, uma cidadã chinesa que está no Brasil a trabalho e preferiu não se identificar, relatou que diversas transações não autorizadas foram realizadas em seu cartão de crédito, totalizando US$ 6.548 (aproximadamente R$ 36 mil na cotação atual).

Relato da vítima

“Eu e meu pai recebemos uma mensagem informando que um pagamento havia falhado. O valor era de mil dólares e eu nunca tinha feito essa transação. Foi quando percebemos que algo estava errado”, contou a vítima. Ao verificar o histórico do cartão, ela encontrou várias cobranças feitas entre abril e 13 de maio, parte delas vinculada à razão social Pneu Z São Caetano. “Eu nunca estive nessa cidade e nem tenho carro”, afirmou. A TV Diário solicitou posicionamento da Pneu Z e aguarda resposta.

Investigação em Mogi das Cruzes

As investigações começaram após o registro de diversos boletins de ocorrência contra a unidade da empresa localizada em Brás Cubas. Segundo a Polícia Civil, a rede possui 43 lojas no país. De acordo com a apuração, consumidores procuravam as unidades para serviços simples, como troca de pneus, mas eram convencidos a autorizar reparos considerados desnecessários após receberem diagnósticos de supostos problemas mecânicos.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Outro caso

Uma vítima relatou que levou o veículo para trocar pneus e recebeu uma ligação informando que uma peça estava quebrada. “Eu disse que não precisava trocar nada porque o carro tinha acabado de sair do mecânico. Depois da troca dos pneus, percebi um barulho muito forte e levei o carro ao meu mecânico, que constatou que a peça havia sido danificada”, contou.

Número de vítimas

Segundo o inquérito, cerca de 20 vítimas já foram identificadas no Alto Tietê e mais de 100 em todo o país. Na região, dois franqueados administrariam dez unidades da rede, localizadas em Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba e Suzano, além de cidades do interior paulista, Santa Catarina e Paraná.

Esquema criminoso

O delegado do 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes, Lyon Ribeiro da Silva, responsável pela investigação, afirmou que o esquema envolvia desde diagnósticos exagerados até pressão para que os clientes autorizassem serviços de alto valor. “Inicialmente, a pessoa procura a empresa para trocar pneus. Quando chega à loja, os funcionários apresentam diversos problemas supostamente encontrados no veículo. Um serviço que custaria cerca de R$ 1 mil acabava chegando a R$ 20 mil ou R$ 30 mil, conforme relatos das vítimas”, explicou.

Ação policial

No dia 28 de maio, a Polícia Civil realizou a segunda fase da operação que investiga o caso. O homem apontado como proprietário da rede foi alvo de mandado de busca e apreensão em Ribeirão Preto. Ao todo, sete pessoas foram identificadas como responsáveis pelo negócio. Ninguém foi preso, mas os investigados foram submetidos a medidas cautelares, tiveram as contas bancárias bloqueadas e estão proibidos de administrar as empresas. Segundo a polícia, mais de R$ 4 milhões foram encontrados nas contas dos suspeitos.

“O proprietário, franqueados e gerentes das lojas são investigados. Já ouvimos vítimas e ex-funcionários e agora estamos analisando os documentos apreendidos”, disse o delegado. A Polícia Civil afirma que trabalha em conjunto com delegacias de outras cidades para apurar a atuação da rede em diferentes estados. Segundo Silva, já houve prisões em flagrante relacionadas ao grupo em Aparecida de Goiânia, São José dos Campos, Limeira e Itaquera. Os próximos passos da investigação incluem a análise do material apreendido e novos depoimentos.

Orientações para evitar golpes

O advogado especialista em Direito do Consumidor, Alessandro Pereira de Azevedo, orienta que os clientes exijam um orçamento detalhado antes de autorizar qualquer serviço. “O consumidor tem o direito de receber a discriminação completa do serviço: quais peças serão trocadas, os motivos da substituição, o valor das peças, da mão de obra e o prazo para execução”, explicou.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Caso desconfie de irregularidades, a recomendação é reunir o máximo de provas possível. “É importante guardar conversas por WhatsApp, orçamentos, ordens de serviço, fotografias e qualquer outro documento que possa comprovar a fraude”, afirmou. O advogado também orienta que a vítima registre boletim de ocorrência e procure o Procon. “São órgãos que atuam de formas diferentes e podem auxiliar tanto na investigação quanto na reparação dos prejuízos”, concluiu.