Quadrilhas usam olheiros para roubar joias no Rio; veja como agem
Quadrilhas usam olheiros para roubar joias no Rio

Quadrilhas especializadas no roubo de joias no Rio de Janeiro passaram a usar olheiros em locais públicos para monitorar possíveis vítimas, conforme revelou o RJ2. O esquema foi descoberto após a tentativa de roubo contra Eduardo Pedrosa Alves, de 66 anos, baleado no estacionamento de um supermercado no Recreio, na Zona Oeste.

Monitoramento em supermercado

Imagens exclusivas obtidas pelo RJ2 mostram como os criminosos agem. No mês passado, Eduardo estava fazendo compras quando um homem de camisa preta, calça e chinelo o observou fixamente por cerca de 4 segundos na seção de hortifruti. Segundo as investigações, esse homem era um dos olheiros da quadrilha que atua na região.

O suspeito se aproximou da vítima e fixou o olhar na direção do pescoço de Eduardo, onde estava o cordão de ouro. Testemunhas contaram à polícia que, ao telefone, ele comentou que a vítima estava com um cordão grosso. Em outro vídeo, um homem de boné também aparece rondando a vítima na seção de carnes. A polícia investiga se ele recebeu a ligação do olheiro.

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O roubo e a reação

Menos de 30 minutos depois, Eduardo estava guardando as compras no estacionamento quando uma motocicleta invadiu o local pela cancela aberta por um carro. O garupa desembarcou armado e anunciou o assalto. Eduardo lutou com o assaltante, que disparou na altura da barriga e fugiu sem o cordão. Com a vítima caída, o bandido voltou e puxou o cordão, conseguindo na segunda tentativa.

Eduardo foi socorrido por clientes do supermercado e levado a um hospital particular. Ele perdeu um rim e parte do pâncreas, e está no CTI em quadro estável. A filha dele, a jornalista Priscilla Piffer, desabafou: “Você ir pra um supermercado 10 horas da manhã e tomar um tiro? É muito revoltante. Uma pessoa tentar matar o meu pai pra tentar roubar um cordão. Não dá pra entender isso”. Ela também expressou medo de que o caso vire apenas mais uma estatística.

Investigação e prisão

A 42ª DP (Recreio) conduz a investigação. No dia seguinte ao crime, Anderson Mateus dos Santos foi preso em flagrante pela delegacia de Pedra de Guaratiba. Segundo a polícia, ele fez o primeiro monitoramento da vítima. Anderson tem anotações criminais por roubo, associação criminosa e estelionato. Com ele, foram apreendidas uma balança e uma solução química para confirmar a autenticidade do ouro.

A polícia ainda tenta identificar os ocupantes da moto, que fugiram para São Gonçalo. Um deles tem uma tatuagem na coxa direita. A quadrilha é suspeita de outros roubos na região. O aumento do valor do grama de ouro no mercado internacional tem impulsionado esses crimes.

Joalherias mudam rotina

Diante do cenário, joalherias estão adotando medidas para reduzir o risco. Em shoppings, clientes são aconselhados a não sair com sacolas, e as lojas oferecem embalagens disfarçadas. Uma vendedora explicou: “A gente coloca numa sacolinha preta, escondidinha. A gente tem uma sacolinha de segurança”. Outra loja usa um “saquinho disfarce” para quem quer sair sem chamar atenção.

Em lojas de rua, a segurança é ainda maior: portas blindadas e seguranças armados. A polícia faz perícia no local do crime e analisa as imagens das câmeras para identificar todos os envolvidos.

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