Quadrilha que roubava remédios para câncer fez mais de 50 assaltos e ameaçou abastecimento
Quadrilha de roubo de remédios para câncer fez mais de 50 assaltos

Uma investigação da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) revela que a quadrilha especializada em roubar cargas de medicamentos praticou mais de 50 assaltos em 3 anos e meio. Segundo a Polícia Civil, o prejuízo provocado pelos crimes passa de R$ 30 milhões. De acordo com a polícia, o volume de cargas roubadas chegou a comprometer o abastecimento de serviços públicos essenciais.

“O volume de roubo praticado por essas quadrilhas, por essa quadrilha, ele é tão significativo que chegou a comprometer, em certa medida, o abastecimento de serviços públicos essenciais”, disse o delegado da DRFC, André Prates. O grupo que assaltava os caminhões recebia apoio de traficantes do Complexo da Maré, mas a quadrilha era comandada em São Paulo.

Dinâmica dos roubos

Somente em maio deste ano, a DRFC registrou quatro roubos com a mesma dinâmica. Em um dos casos, pouco depois das 6h, no bairro Vila Maria Helena, em Duque de Caxias, um carro escuro e um caminhão, ocupados pelos criminosos que se preparavam para o ataque, seguiam à frente de duas motocicletas. O piloto da segunda moto saca uma arma e ordena que um carro de passeio e um caminhão branco, que vinham logo atrás, parem. Os motoristas obedecem imediatamente. O carro da frente fazia a escolta da carga. Dois homens saem do veículo com as mãos para o alto e correm, mesmo com os assaltantes gritando para que voltarem. O motorista do caminhão é rendido.

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Imagens mostram que os criminosos usam uma ferramenta semelhante a uma serra elétrica para abrir a lateral do baú. A ação durou cerca de dez minutos. Os ladrões fizeram um buraco na carroceria e retiraram caixas com medicamentos avaliados em R$ 1,1 milhão, segundo as notas fiscais apresentadas na delegacia. “Eles nem arrombaram o caminhão. Rasgaram a lateral do caminhão com uma serra elétrica.”

Conversa interceptada

Durante as investigações, a polícia interceptou uma conversa entre dois bandidos que planejavam um novo ataque. Segundo os investigadores, "TN", citado pelos criminosos, seria um traficante do Complexo da Maré.

Bandido 1: “Maluco quer dar um caminhão de remédios lá para o TN lá, tá ligado? O maluco vai dar, só que o Camelo tem que cortar a lateral. Não pode abrir, senão berra na empresa, tá ligado? Só que tem que arrumar aquela p* elétrica, tá ligado? Como é que a gente vai ligar isso na rua? " Bandido 2: “A lixadeira é 200 merréis, pô. Dá para comprar. Só que tem que fazer o maior cortão, ne?! A chapa deve ser de alumínio, deve cortar rapidinho.”

Remédios para pacientes com câncer

Em outro assalto, no início deste ano, a quadrilha levou um caminhão para dentro da Vila do João, no Complexo da Maré. Imagens mostram um homem de capuz vermelho cortando a porta do veículo com uma ferramenta semelhante à utilizada em outros roubos. O motorista foi obrigado a indicar onde estavam os medicamentos destinados ao tratamento de câncer. Na sequência, os criminosos transferiram as caixas para outro caminhão. Os medicamentos, usados por pacientes em estado debilitado, foram retirados sem qualquer cuidado com a conservação. Os assaltantes jogaram os isopores enquanto faziam o transbordo da carga, que seria revendida pela organização criminosa. Depois do roubo, os criminosos ainda conferiram a nota fiscal dos medicamentos.

Investigação e prisões

Segundo a polícia, um dos homens que aparece nas imagens é Ronald Gonçalves da Silva, conhecido como Talarico. Ele está foragido. Até esta terça-feira (21), segundo a investigação, Ronald levava uma vida aparentemente normal. Em uma foto publicada por ele no último fim de semana, Ronald aparece correndo na orla de Copacabana. Ainda de acordo com a Polícia Civil, Ronald coordenava os assaltos e fazia a ligação do esquema com Fernanda Rodrigues França e Umberto Xavier de Lima, presos nesta terça. Os investigadores afirmam que Fernanda e Umberto enviavam os medicamentos roubados para empresas de fachada, onde eram revendidos. O chefe do esquema seria Stefano Mantovani Fernandes. Ele foi preso nesta terça em Santo André, no Grande ABC.

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Os agentes apreenderam num dos carros dele remédios roubados no início do mês, perto de Campinas. A carga foi avaliada em R$ 4,6 milhões. Nesta quarta-feira (22), mais quatro carros apreendidos com Stefano chegaram à Cidade da Polícia. A frota é avaliada em cerca de R$ 1 milhão. “É importante mencionar que essa investigação não se trata apenas de um roubo de carga, mas sim de uma ameaça direta à vida de pacientes oncológicos”, disse o delegado de Polícia Civil, Luiz Eduardo Moura.

Defesas

A defesa de Fernanda Rodrigues de França disse que a verdade dos fatos será integralmente reconhecida no final do processo. A defesa de Umberto Xavier de Lima diz que não é o momento oportuno para se manifestar fora do processo. O RJ2 não conseguiu contato com as defesas dos outros acusados.