A Polícia Civil de Pernambuco investiga uma aluna por tentativa de homicídio após ela supostamente colocar mercúrio na garrafa de água de uma professora de artesanato. O caso foi revelado pelo Fantástico neste domingo (19). A suspeita, Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, teria agido motivada por ciúmes da amizade entre a vítima e seu namorado.
Motivação por ciúmes
Segundo o delegado responsável pelo caso, a investigada passou a demonstrar ciúmes da relação entre a professora e seu companheiro, o que teria dado início ao plano criminoso. "Num determinado momento, por ter amizade com o namorado da investigada, ela passou a cobrar ciúmes da vítima. A partir daí começa toda a trama delituosa", afirmou o delegado.
A professora, identificada como Denny, contou que as duas chegaram a discutir cerca de um ano e meio antes da descoberta. Na ocasião, ela disse ter deixado claro que não abriria mão da amizade. "Eu falei: 'Se você tem algum problema com ele, resolva com ele, porque ele é seu namorado. Mas eu não vou deixar de ser amiga dele. Para mim, ele era mais que um irmão'", relembrou.
Como ocorreu a contaminação
O caso começou em um espaço de artesanato montado no estacionamento do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife. Denny era professora voluntária e conhecia Maria Aparecida, que acompanhava o filho em tratamento e frequentava as aulas. A aluna teria dado uma garrafa de água para a professora, que passou a usá-la diariamente por cerca de dois meses.
Durante esse período, Denny percebeu bolhas na água e um gosto diferente, mas não desconfiou de algo grave. A suspeita surgiu quando flagrou Maria Aparecida mexendo na garrafa durante uma aula. "Eu peguei ela mexendo na minha garrafa. Aí ela se assustou e fez como se estivesse tirando ela do local e botando em outro", contou a professora.
Depois do episódio, Denny retirou pequenas "bolinhas" da boca antes de engolir a água e decidiu instalar um celular escondido para gravar o que acontecia na sala. As imagens, obtidas nos dias 3 e 5 de junho de 2025, mostram Maria Aparecida cortando um papel com uma tesoura, depositando o conteúdo na água, agitando a garrafa e saindo da sala.
Exames comprovam intoxicação
Com os vídeos, Denny procurou a polícia. A garrafa foi encaminhada para perícia e, dois dias depois, a professora voltou ao curso com outro recipiente idêntico. A suspeita repetiu o comportamento e foi novamente filmada. Os laudos periciais confirmaram a presença de mercúrio nas duas garrafas analisadas. Exames também detectaram o metal no sangue e na urina da professora — no sangue, foram encontrados 21 mg, cerca de quatro vezes acima do limite tolerável.
O mercúrio é um metal altamente tóxico, proibido em termômetros no Brasil desde 2019, e pode causar danos graves ao cérebro, rins, intestino e pele. A polícia acredita que a repetição da conduta e o uso consciente da substância reforçam a linha de investigação por tentativa de homicídio.
Defesa e investigação
A investigada nega as acusações. Em nota, a defesa informou que ela faz tratamento médico por transtornos mentais e que não irá comentar o caso para não prejudicar a conclusão do inquérito. O delegado afirmou que, até o momento, não foram apresentados documentos que comprovem esse diagnóstico.
Mais de um ano depois das gravações, o inquérito ainda não foi concluído. O delegado afirma que, embora as imagens e os depoimentos sejam relevantes, a investigação busca reunir mais elementos para comprovar a prática do crime. Já a defesa de Denny cobra mais rapidez e destaca que os laudos confirmando a presença de mercúrio ficaram prontos poucos dias após o início da apuração.
Sintomas e descoberta
Denny afirma que os primeiros sintomas surgiram quase um ano antes das gravações. Como tem fibromialgia desde 2016, acreditou inicialmente que a piora do quadro estivesse relacionada à doença. A própria reumatologista descartou essa hipótese ao perceber que os sintomas não eram compatíveis com a fibromialgia. "Foi desesperador", disse a professora, que agora aguarda a conclusão do inquérito policial.



