A reação apressada dos motoristas ao avistarem a viatura foi o primeiro sinal de que algo estava errado. Minutos depois, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) já contabilizava 3,5 toneladas de entorpecentes e caixas de medicamentos contrabandeados escondidos em dois caminhões parados em um posto de combustíveis na BR-262, em Campo Grande. A ocorrência foi registrada na tarde do sábado (1º) e terminou com dois caminhoneiros presos em flagrante por tráfico de drogas e contrabando.
Abordagem no km 351 da BR-262
Durante o patrulhamento pelo km 351 da rodovia, os policiais notaram que os condutores de dois caminhões estacionados em um posto de combustíveis correram para as cabines dos veículos assim que perceberam a aproximação da viatura. Segundo a PRF, a atitude atípica, somada a irregularidades nas placas dos veículos, levou a equipe a realizar uma abordagem minuciosa. O local, bastante movimentado, costuma ser usado por motoristas para descanso, mas o comportamento dos suspeitos chamou a atenção.
Na vistoria da cabine de um dos veículos, os agentes encontraram caixas de medicamentos importados ilegalmente e um comprovante de compra no Paraguai. O achado reforçou a hipótese de contrabando e deu aos policiais indícios de que a carga poderia ser ainda mais grave. As autoridades então expandiram a fiscalização para as carrocerias, onde encontraram sinais de adulteração nas caçambas.
Esconderijos exigiram uso de equipamentos de corte
Com o apoio do Corpo de Bombeiros, os policiais precisaram cortar partes da estrutura soldada de um dos semirreboques para acessar um compartimento oculto. Dentro do espaço vedado, estavam armazenadas porções de cocaína, entre pasta base e cloridrato. O trabalho de corte foi delicado, pois era necessário preservar tanto a droga quanto as evidências que pudessem identificar os responsáveis.
No segundo caminhão, a maconha foi localizada sob uma carga de calcário. A droga estava dissimulada entre as pedras, uma técnica que pode enganar em vistorias superficiais. De acordo com a corporação, essa diversidade de métodos indica esquema de tráfico organizado, com planejamento logístico para evitar a detecção.
Volume apreendido passa das 3,5 toneladas
O balanço da operação aponta que foram apreendidos 2.973,9 quilos de maconha e 533,8 quilos de cocaína. Somadas, as drogas totalizam 3,5 toneladas, número que não inclui os medicamentos contrabandeados. O volume é expressivo e demonstra a importância do trabalho de fiscalização nas rodovias federais.
Mato Grosso do Sul faz fronteira com o Paraguai e a Bolívia, países que são grandes produtores de entorpecentes. Essa posição geográfica torna o estado uma rota estratégica para o tráfico, que utiliza caminhões, muitas vezes com cargas lícitas como cobertura, para transportar drogas para abastecer o mercado ilegal.
Presos encaminhados à Denar e à Depac Cepol
Os dois motoristas foram detidos em flagrante pelos crimes de tráfico de drogas e contrabando. Eles foram levados, juntamente com os caminhões, as drogas e os medicamentos apreendidos, para a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e para a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Cepol, em Campo Grande. A PRF não divulgou os nomes dos presos nem o valor estimado da carga.
Agora, a Polícia Civil dará continuidade às investigações para identificar outros integrantes da organização criminosa, além de apurar a origem e o destino final dos entorpecentes. A pena para tráfico de drogas pode chegar a 15 anos de reclusão, e o contrabando também é punido com prisão, podendo resultar em uma condenação ainda mais severa quando as circunstâncias são agravadas pela quantidade de material apreendido.
A ação conjunta entre PRF e Corpo de Bombeiros demonstra a importância da integração entre as forças de segurança para o enfrentamento ao crime organizado. As apreensões ocorrem em um momento em que o combate ao narcotráfico é prioridade nas rodovias que cortam o estado.



