Juvenart: CTG do Paraná faz história e chega à final inédita
Juvenart: CTG do Paraná chega à final inédita

O Juvenart, um dos mais aguardados encontros de dança tradicionalista do Brasil, terá uma final completamente inédita neste domingo (2). Pela primeira vez na história do festival, uma entidade de fora do Rio Grande do Sul consegue chegar à grande final da categoria juvenil. A façanha pertence ao CTG Querência Santa Mônica, de Colombo, no Paraná, cuja invernada juvenil emocionou o público durante a competição realizada em Santa Maria, na Região Central do estado.

O feito adquire ainda mais relevância diante da dimensão do concurso: são mais de 6 mil competidores com até 18 anos, reunidos em uma das maiores vitrines da nova geração do tradicionalismo. Historicamente, as vagas finais costumam ser dominadas por entidades gaúchas, o que torna a presença paranaense um marco para o evento e para a expansão da cultura tradicionalista para além das fronteiras do Rio Grande do Sul.

Coreografia “Espelho da Alma” narra reencontro com a criança interior

A classificação histórica veio acompanhada de uma apresentação que ficará na memória de quem esteve no ginásio. A coreografia “Espelho da Alma” conta a história de uma jovem que, ao se deparar com a própria imagem em um espelho, reencontra a criança que um dia foi. Esse encontro faz com que ela reviva lembranças da infância e descubra que a dança sempre foi o elo entre o passado e o presente, funcionando como um caminho de pertencimento, identidade e conexão consigo mesma.

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O momento mais marcante da encenação acontece quando as dançarinas Heloísa da Silva Gaboardi, de 15 anos, e Rafaela Silva Gricolo, de 12 anos, surgem diante de uma moldura ornamentada que cria a ilusão de um espelho. Apesar de não haver vidro, a sincronia impressionante dos movimentos — especialmente das mãos — faz parecer que uma é o reflexo exato da outra. Em certo instante, elas se tocam através da moldura, reforçando o simbolismo do reencontro entre a protagonista e sua criança interna. A cena, delicada e potente ao mesmo tempo, arranca aplausos emocionados do público todas as vezes em que é apresentada.

Dez anos de uma obra que toca o público

Criada há uma década por integrantes da categoria adulta do CTG, “Espelho da Alma” não perdeu a força ao longo dos anos. A obra aborda temas universais — a infância, os sonhos, a paixão pela dança e o poder transformador da arte —, o que explica sua permanência no repertório da entidade e a identificação imediata do público com a narrativa.

De acordo com Bruno Dias Lemos, um dos coreógrafos responsáveis pela criação e instrutor do grupo, o objetivo da apresentação vai muito além da performance técnica. “Esta coreografia tem como principal objetivo tocar as pessoas e levá-las a refletir sobre aquilo que realmente importa. Ela convida cada espectador a pensar sobre o significado da dança, do palco e da arte em sua própria vida. Ao longo dos anos, essa música tornou-se um verdadeiro hino do CTG Querência Santa Mônica, pois traduz o sentimento que move nossos dançarinos e representa a essência da nossa entidade”, afirma.

CTG Querência Santa Mônica: história de títulos e tradição

O CTG Querência Santa Mônica não chegou à final do Juvenart por acaso. Fundada em 1989, a entidade é considerada uma das mais importantes do tradicionalismo paranaense. Atualmente, reúne cerca de 200 integrantes, dos quais aproximadamente 120 são dançarinos distribuídos entre as categorias competitivas. A coleção de troféus impressiona: são 33 títulos estaduais e 19 nacionais conquistados ao longo de mais de três décadas de atividades.

Essa bagagem de experiência e a qualidade das apresentações colocam o grupo de Colombo como um forte candidato ao título inédito. A grande final do Juvenart será disputada neste domingo, em Santa Maria, com a expectativa de mais um espetáculo à altura da história que essa invernada já escreveu no festival. Independentemente do resultado, a presença do CTG paranaense na decisão já representa uma conquista para o tradicionalismo fora do Rio Grande do Sul.

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