Três pessoas foram presas nesta quarta-feira em São Paulo sob suspeita de participação em um plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) para matar um promotor de Justiça. Entre os detidos estão um investigador chefe da Polícia Civil, um ex-policial militar e um ex-estagiário do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Detalhes da operação
A operação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP-SP, com apoio da Corregedoria da Polícia Civil. As prisões ocorreram nas cidades de São Paulo e Guarulhos. Segundo as investigações, os suspeitos teriam fornecido informações privilegiadas sobre a rotina e a segurança do promotor, além de auxiliar na logística do atentado.
O investigador chefe, lotado no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), é acusado de repassar dados sigilosos do sistema policial para a facção criminosa. O ex-policial militar, que atuava como segurança particular, teria facilitado o acesso a armas e munições. Já o ex-estagiário do MP-SP, que trabalhou na promotoria, é suspeito de fornecer documentos internos e informações sobre a atuação do promotor.
Reações
O MP-SP afirmou, em nota, que repudia veementemente qualquer tentativa de intimidação contra seus membros e que está colaborando com as investigações. A Polícia Civil instaurou um procedimento interno para apurar a conduta do investigador preso. A defesa dos acusados ainda não se manifestou.
O promotor alvo do plano, que não teve o nome divulgado, atua em casos de grande repercussão envolvendo o crime organizado. Ele foi afastado de suas funções temporariamente e recebeu proteção policial.
Contexto
Esta não é a primeira vez que integrantes do PCC são investigados por planejar atentados contra autoridades. Em 2023, a facção foi alvo de uma operação que desarticulou um plano para matar um juiz federal. As investigações apontam que a facção criminosa busca retaliar agentes do sistema de Justiça que atuam contra seus interesses.
As prisões representam um duro golpe na estrutura de inteligência do PCC, que vinha utilizando informações de dentro do sistema público para viabilizar seus ataques. O Gaeco segue investigando possíveis outros envolvidos.



