João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins foram soltos nesta quarta-feira (8), após 18 dias presos pela morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, lançada sem cordas durante um salto de rope jump em Limeira (SP). João, em entrevista exclusiva à EPTV, afiliada da TV Globo, classificou a experiência como 'aterrorizante' e disse estar mais aliviado. 'É um sentimento de angústia constante. Um sentimento aterrorizante, até porque a gente não tem notícias de como as coisas estão, o que está acontecendo. É extremamente angustiante. Graças a Deus, agora estou mais aliviado, sinto-me grato pelas equipes de investigações, que fizeram o trabalho delas, conseguiram investigar tudo e verem que, de fato, eu não tinha nada a ver com aquilo', afirmou.
Investigação conclui que João e Gabriel não tiveram culpa
Os dois estavam presos desde 20 de junho. A Polícia Civil não os indiciou e pediu a revogação das prisões. O Ministério Público (MP) também não os denunciou. Segundo a polícia, João exercia a função de retirada de equipamento dos participantes após os saltos, na parte inferior da ponte. Após a queda da vítima, ele se aproximou para verificar sinais vitais e comunicou via rádio a necessidade de apoio especializado. Ele havia sido preso por suspeita de ocultar provas, como o desaparecimento da câmera de Maria Eduarda, mas a polícia descartou essa possibilidade.
Gabriel, por sua vez, era responsável pelo acompanhamento da descida, realização dos bloqueios e desbloqueios do sistema e preparação do equipamento. Ele foi preso por suspeita de fugir do local após a tragédia, mas a polícia concluiu que não teve influência, intencional ou não, na morte. A defesa de Gabriel criticou a rapidez da prisão e a demora para a soltura, classificando a situação como 'desproporcional' e afirmando que a tragédia não justifica os excessos. Os advogados manifestaram solidariedade à família da vítima. A defesa de João não se posicionou até a última atualização.
Quatro suspeitos permanecem presos e foram denunciados pelo MP
Outras quatro pessoas seguem presas e foram denunciadas pelo MP nesta terça-feira (7) por homicídio com dolo eventual qualificado e fraude processual. São eles: Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves, por homicídio com dolo eventual, qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima; e Evelyne dos Santos Gonçalves, por homicídio com dolo eventual, qualificado por omissão imprópria, e fraude processual.
O homicídio com dolo eventual ocorre quando a pessoa não tem intenção de matar, mas assume o risco de causar a morte. Na denúncia, o MP sustenta que os responsáveis pelo salto 'tinham pleno conhecimento dos riscos da atividade, mas deixaram de adotar cautelas necessárias', como conferir a conexão da corda de segurança e realizar a dupla checagem dos equipamentos. O MP também aponta que o grupo atuava sem definição clara de funções, explorava comercialmente a atividade sem atender às exigências legais e priorizava interesses econômicos e a divulgação nas redes sociais em detrimento da segurança.
Detalhes da investigação e indiciamentos
A Polícia Civil investigou oito pessoas em dois inquéritos. O primeiro, concluído em 22 de junho, indiciou três instrutores (Luis Felipe, Maicon Fernandes e Vitor de Freitas) por homicídio com dolo eventual. O segundo inquérito, concluído na primeira semana de julho, indiciou Evelyne Gonçalves, apontada como organizadora do evento, por homicídio e fraude processual. O rope jump é uma modalidade que utiliza cordas estáticas, sem elasticidade, e após a queda faz um movimento de balanço, como um pêndulo, diferentemente do bungee jump, em que a corda elástica faz a pessoa quicar.



