Preso suspeito de atear fogo em amigo de infância em MG
Preso suspeito de atear fogo em amigo de infância

Antônio Mateus Ferreira, de 22 anos, foi preso na manhã desta quinta-feira (2), suspeito de atear fogo no amigo de infância, Luiz Emanuel Maciel Marcolino, de 23 anos, durante uma confraternização em uma fazenda de Lagamar, no Noroeste de Minas. O crime ocorreu em 7 de junho. Quase um mês após o crime, Luiz Emanuel continua internado em estado grave. Ele sofreu queimaduras em mais de 50% do corpo.

Detalhes do ataque

Segundo a Polícia Militar (PM), o grupo já havia se recolhido para dormir quando Antônio, após discutir com uma mulher com quem mantinha um relacionamento, pegou um galão de gasolina e derramou o combustível sobre uma barraca montada na sala da casa. Luiz Emanuel estava dentro da barraca quando o suspeito ateou fogo. Ele sofreu queimaduras de primeiro e segundo graus nos braços, nas pernas e no peito. Durante o resgate, outro homem que tentou apagar o incêndio também sofreu queimaduras na mão direita.

Ainda segundo a PM, após o incêndio, o próprio suspeito tentou apagar as chamas com um balde de água. Luiz Emanuel foi levado por amigos para o Hospital Municipal de Lagamar. Após os primeiros atendimentos, ele foi transferido para o Hospital Regional de Patos de Minas, onde permanece internado. No dia do crime, o suspeito não foi localizado. Segundo a polícia, familiares informaram que ele também sofreu queimaduras, mas decidiu não procurar atendimento médico por medo de ser preso.

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Relato do irmão da vítima

Ao g1, o irmão da vítima, Weverton Paulo Maciel Marcolino, contou que todos já estavam deitados quando o suspeito saiu de um dos quartos, após discutir com uma mulher, e foi até a sala, onde Luiz descansava dentro da barraca. Segundo Weverton, Luiz chegou a acreditar que o líquido jogado sobre a barraca era água. "Meu irmão escutou o barulho de alguma coisa caindo e achou que era água. Quando veio o cheiro de gasolina, ele falou: 'Antônio, isso é gasolina, para com isso'."

Weverton relatou que o suspeito insistiu no ataque e tentou acender o isqueiro várias vezes, até conseguir atear fogo. "Ele riscou o isqueiro três vezes na barraca. Na terceira vez explodiu. Meu irmão saiu correndo pegando fogo", disse. Desde o dia do incêndio, a rotina da família tem sido no hospital. "Ele queimou mais de 50% do corpo, teve queimaduras de segundo e terceiro graus. Já passou por três cirurgias e vai fazer outra para retirada de pele e avaliação de enxerto." A mãe acompanha o filho desde o primeiro dia de internação. "Minha mãe está desde o dia 7 ao lado dele. Ela não sai do lado dele. Ele está passando por um sofrimento que eu não desejo para ninguém." Para Weverton, o que torna o caso ainda mais difícil de entender é a relação entre os dois. "Foi uma crueldade. E era um amigo de infância, para você ter ideia."

O que disse a polícia

Segundo o registro da PM, testemunhas relataram que, antes do ataque, o suspeito buscou uma mulher com quem mantinha um relacionamento. Ainda de acordo com os relatos, a presença de uma ex-companheira na confraternização teria motivado brincadeiras entre os participantes. Mais tarde, ele discutiu com a mulher e, por razões ainda investigadas, pegou um galão de gasolina e despejou o combustível sobre a barraca onde Luiz estava. A Polícia Civil investiga o caso.

Defesa de Antônio

Em nota, o advogado de Antônio, Cássio David Araújo, afirmou que considera a medida extrema e exercerá as medidas judiciais cabíveis para o restabelecimento imediato da liberdade do investigado. A defesa técnica respeita a decisão judicial que decretou a prisão preventiva, mas não concorda com os fundamentos. Destaca que o investigado se colocou à disposição da autoridade policial desde o início, não se evadiu, é réu primário e sem antecedentes criminais, e que medidas cautelares diversas da prisão seriam suficientes. A defesa informa que impetrará Habeas Corpus perante o Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Defesa de Luiz e família

O advogado Thiago Alves, que representa Luiz e a família, considerou que o caso se trata de uma tentativa de homicídio. Em nota, informou que a prisão do acusado é um passo fundamental para a busca por justiça. Ressalta que a vítima ainda se encontra com condição delicada, hospitalizada há mais de 30 dias em estado grave e sem previsão de alta.

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