Policial é indiciado por morte de estudante em Palmas
Policial é indiciado por morte de estudante em Palmas

O policial militar Nerivaldo Mendes, de 39 anos, foi indiciado pela morte da estudante de nutrição Jhenyfer Camilly Alves dos Santos, de 22 anos, vítima de um grave acidente de trânsito na BR-010, em Palmas, no Tocantins. O indiciamento, anunciado pela Polícia Civil, inclui os crimes de homicídio culposo na direção de veículo automotor e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. A jovem morreu no dia 17 de maio, após ser atingida enquanto seguia de motocicleta com o marido, Sergiomar de Freitas Lima, para visitar parentes em Aparecida do Rio Negro.

O acidente e a comoção

O acidente ocorreu na manhã de 17 de maio, na BR-010, em Palmas. Jhenyfer e o marido seguiam de motocicleta quando foram atingidos por um carro. A estudante sofreu ferimentos graves, incluindo a amputação de um pé, e chegou a ser socorrida, mas morreu após dar entrada no hospital. O marido sofreu fraturas graves, foi internado e recebeu alta posteriormente. Dias após o acidente, um pé humano foi encontrado a cerca de 5 quilômetros do local, levantando a suspeita de que pertencesse à vítima.

A família de Jhenyfer vive dias de angústia enquanto aguarda o resultado do exame que deve confirmar se o membro encontrado é da estudante. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) chegou a informar, em junho, que o pé pertencia à jovem, mas em julho voltou atrás, afirmando que a identificação ainda dependia de análises técnicas da Polícia Científica. A mãe, Maria Aparecida dos Santos, relata a dor da espera: "Ainda não recebemos o resultado do exame. Isso é muito ruim, porque queremos enterrar o pé da nossa filha. Estamos esperando".

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O indiciamento do policial

De acordo com a Polícia Civil, Nerivaldo Mendes permaneceu no local após o acidente, prestou socorro às vítimas e realizou o teste do bafômetro, que teve resultado negativo para consumo de álcool. A defesa do militar informou que irá se manifestar apenas nos autos do processo. Em junho, a Polícia Militar do Tocantins confirmou que o militar estava de folga e dirigia veículo particular no momento do acidente.

O indiciamento por homicídio culposo significa que não houve intenção de matar, mas que o motorista agiu com imprudência, negligência ou imperícia. A pena para esse crime, prevista no Código de Trânsito Brasileiro, pode variar de 2 a 4 anos de detenção, além da suspensão ou proibição de se obter a permissão ou habilitação para dirigir veículo automotor.

Quem era Jhenyfer

Jhenyfer Camilly Alves dos Santos era estudante de nutrição, prestes a conquistar o diploma. Ela trabalhava como vendedora em uma loja de departamentos e era descrita como uma jovem "cheia de vida" e que sonhava em se formar para ajudar os pais. O cunhado da vítima, Sandro Lima, afirma que a jovem deixou lembranças marcadas pelo carisma e simpatia: "Era uma menina alegre. Estava sempre sorrindo".

A mãe conta que a filha tinha o costume de fazer chamadas de vídeo para conversar com os irmãos. Jhenyfer estudava em Palmas e a família mora em Aparecida do Rio Negro. "O dia a dia tem sido muito triste, não só para mim, mas também para os irmãozinhos dela. Todos os dias ela fazia chamada de vídeo e eles sentem falta", relata Maria Aparecida.

Expectativa pelo laudo

A família aguarda há dois meses o resultado do exame que deve confirmar se o pé humano encontrado pertence à estudante. O g1 questionou a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSPTO) sobre a demora e solicitou atualizações sobre as análises, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. A mãe de Jhenyfer clama por justiça e pela conclusão do laudo para que possa enterrar a filha de forma completa.

O caso gerou comoção na região e reacendeu o debate sobre a segurança no trânsito e a responsabilidade de motoristas em acidentes. A Polícia Civil segue investigando o caso, e o indiciamento do policial militar representa um passo importante para a responsabilização criminal.

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